Publicidade
 
 
GoOutside
 
  ok
 
 
Imprimir
   
    A mega teoria da evolução
Bob Burnquist está em busca da maior e mais assustadora peripécia que um atleta jamais imaginou ser possível - isso enquanto dirige uma fazenda orgânica, vence mais um evento de megarrampa no Brasil e prefere vitamina de frutas a energético. Ele intitula esta busca de progresso. Veja a vida iluminada (e os sonhos incríveis) do maior skatista do mundo

Por Josh Dean

Foto Chris Mcpherson

Bob Burnquist é skatista profissional, mas fazer disso uma definição é um pouco depreciativo

O RESIDENTE DE 32 ANOS DE VISTA, Califórnia, é, em várias medidas tangíveis - especialmente as metafísicas -, provavelmente o melhor skatista do mundo, capaz de ganhar o ouro no halfpipe dos X Games ou produzir trechos de skate street para vídeos incríveis, assim como redefinir constantemente o que é considerado possível nesse esporte. Ele pode fazer isso dando uma volta completa na parte interna de um cano de metal (que exige andar de skate de cabeça para baixo), ou andando de skate dentro de um cano com um vão (que exige saltar de cabeça para baixo), ou realizar essas proezas - ou qualquer um dos seus truques - de switch (quer dizer, com a base invertida), ou, especialmente, fazendo as coisas que faz na sua infame megarrampa, um colosso de 110 metros de comprimento e 23 metros de altura que impulsionou a prática do skate para um território aterrorizante desde que apareceu, em 2003.

Existem apenas três megarrampas na Terra. Uma está guardada e só aparece para os eventos de big air dos X Games, que Bob venceu nos últimos dois anos. A outra está no Brasil, onde Bob nasceu e viveu até os 18 anos. Ele construiu esta para uma competição que co-produziu, em 2008, pela sua produtora Zoobamboo Entertainment, baseada em Encinitas, na Califórnia, e que também venceu. A segunda edição do evento foi transmitida ao vivo pela Rede Globo, para milhões de espectadores, no último domingo de setembro. Bob venceu as duas edições. A terceira megarrampa está no quintal da casa do Bob.

Ele não inventou a megarrampa; os louros da criação pertencem a seu amigo Danny Way, skatista profissional que saltou a Grande Muralha da China alguns anos atrás. A megarrampa é uma traquitana difícil de se imaginar, até que você a tenha visto pessoalmente. Imagine uma rampa de esqui feita de madeira, que termina com o maior ejetor que se possa imaginar; tão alta e íngreme que um skatista profissional mediano treme nas bases só de chegar na borda.

O salto mais básico é mais ou menos assim: você se lança de uma plataforma da altura de um prédio de cinco andares aproximadamente, atinge a velocidade de 65 a 80 quilômetros por hora na descida de 55 metros, depois é ejetado por sobre um vão de 15 metros - há redes de proteção de circo, caso você cometa um erro -, aterrissa numa rampa e sobe novamente num quarterpipe de 9 metros, que te impulsiona por mais 4 a 7 metros pelos ares. Você vai precisar pousar de volta na mesma face do quarterpipe quase vertical, e não no deck do quarterpipe, ou no piso reto rente ao chão, que quase certamente resultariam em lesões.

Pode ser que você se lembre de que este foi o destino do skatista australiano Jake Brown, que teve sua queda muito bem documentada nos X Games de 2007. Jake vacilou um pouco ao aterrissar depois de mandar um 720 (seu primeiro em uma megarrampa). Quando ele se lançou no ar para cima do quarterpipe, um desequilíbrio fez com que se afastasse da rampa e caísse 14 metros direto na parte plana, num choque tão forte que lançou para longe seus dois tênis. Bob, que esperava sua vez, pensou que seu amigo estava "morto, paralisado, despedaçado. Eu gritava desesperado", diz. Jake ficou imóvel por oito minutos, depois, como por milagre, levantou-se e saiu andando (com um punho quebrado, uma concussão leve e fígado e pulmões contundidos). Isso fez Bob pensar: caramba, sou o próximo. Tá bom, Jake, esta é para você. Desceu a rampa e levou o ouro.

A esta altura, Bob consegue navegar a megarrampa facilmente, de frente ou de switch. Ele consegue girar (várias vezes) e aterrissar logo depois do vão, numa plataforma curta conhecida como manual pad, realizar uma pequena manobra e continuar em direção ao quarterpipe, onde pode ser que voe para cima e dê um grind na trave de futebol que, às vezes, coloca em cima do deck, só para se divertir. Ele consegue fazer um front flip por cima do vão, coisa que ninguém nunca tentou.

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>

   
  Imprimir
   
 
Edição nº 54 - Novembro/09
 
Sumário atual Anteriores Estilo Radar Destino Especial Reportagens Notícias
 
Newsletter
  Cadastre-se e receba nossas novidades.
 
 
Ok
 
 
   
 
Contato
Contato Assine Publicidade Expediente Indique o site
 
 
Rocky Mountain Editora
Copyright © 2008 - Editora Rocky Mountain Ltda. - Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.
powered by ContentStuff