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| DONAS DE CASA: Nas proximidades do Parque Nacional Virunga, as mulheres se viram do melhor jeito para dar conta dos afazeres do lar |
Dizer que esse paraíso selvagem é inacessível, porém, não é exagero poético. Décadas de guerras civis, golpes, rebeliões, massacres e governos tirânicos movidos pela cobiça dos minérios - o território é rico em diamante, cobre e cobalto - fizeram do país um dos mais convulsionados do continente.
O final de 2006 viu uma chance histórica para a paz, quando Joseph Kabila, eleito de forma democrática (algo inédito no país que conquistou a independência em 1960), assumiu o poder, após uma transição em que se procurou dar espaço e voz a todas as facções belicosas e à oposição política. Forças de paz da ONU estão posicionadas na capital Kinshasha e em outros pontos. Mas viajar pelo país é extremamente arriscado.
Nas províncias do leste, junto à fronteira com Ruanda e Uganda, rebeldes ainda atuam e a situação é explosiva. Uma pena! Justamente nesta área estão quatro dos cinco santuários naturais considerados patrimônio da humanidade. Um dos mais famosos é o Parque Nacional Virunga, celebrizado pelo drama dos gorilas durante a guerra, quando, em meio ao fogo cruzado, quase desapareceram. A região é montanhosa e vulcânica, com a presença de picos nevados e savanas repletas de vida selvagem.

Enquanto isso, em terras brasileiras .
Será que o Brasil já chega aos pés dos países mencionados nessa matéria, em termos de perigo? Segundo dados divulgados em janeiro de 2007, a taxa de homicídios no Iraque seria o dobro da do Brasil. Se isso for verdade, nosso país equivale a meio Iraque em violência. A comparação pode ser uma grande bobagem, mas pode dar uma medida da situação.
Imagine um estrangeiro que, indeciso sobre onde vai passar as férias, lê as notícias do último Ano-Novo no Brasil. No Rio, turistas alemães e croatas assaltados ao saírem do aeroporto e ônibus incendiados, inclusive um que fazia a rota Rio-São Paulo. Os que viram as fotos nas capas dos jornais poderiam julgar, em um primeiro olhar, tratar-se de Tel-Aviv, Cabul ou Bagdá. No Ceará, durante a última temporada de verão, um canadense foi assassinado após tentativa de assalto. E, em fevereiro, três franceses que trabalhavam numa organização não-governamental foram mortos a facadas. O assassino? Um rapaz ajudado pela própria ONG, quando era garoto. Junte a isso outros fatos desagradáveis da história brasileira recente, de repercussão internacional, como o episódio em que o PCC perpetrou uma onda de atentados em São Paulo, no primeiro semestre de 2006. Considere ainda a amplificação que as notícias tendem a ter quando são espalhadas mundo afora. Aos olhos do estrangeiro, o Brasil pode já fazer parte da lista de paraísos perdidos. (MD)
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