A Karakoram é uma aventura completa, daquelas que fazem ferver a adrenalina. Pelo caminho, a diversidade tribal convive sob fortes tensões. Uigures, tadjiques, quirquizes, kohistanes e pashtuns (estes últimos formam a maioria dos guerrilheiros do Talibã), entre tantos outros, vivem sob leis e códigos próprios. Na região, onde o governo paquistanês nunca conseguiu se impor, a natureza também surpreende. A KKH atravessa uma faixa territorial absurdamente inóspita, cujo cenário, porém, é um dos mais espetaculares da Terra. Ali se localizam três dúzias de picos que ultrapassam os 7 mil metros de altitude, entre eles o K2, a segunda maior montanha do planeta, com colossais 8.611 metros. Como todo esse complexo geológico continua em formação, tremores de terra e avalanches ocorrem com freqüência sobre a pista repleta de abismos vertiginosos. Não por acaso, em turco, Karakoram significa "pedras que desmoronam". Mas quem se aventura pela KKH aprende rápido que acidentes naturais e conflitos tribais não passam de eventos rotineiros na rodovia mais perigosa do mundo.

TÁ COM MEDO? POR QUE VEIO?
GUIA DE SOBREVIVÊNCIA PARA ZONAS DE CONFLITO
Antes de encarar um país em guerra, primeiramente é preciso obter informações precisas sobre o lugar. Leitura indispensável é o guia "The World's Most Dangerous Places", do norteamericano Robert Pelton, um dos maiores especialistas mundiais em zonas de conflito, que conta com a colaboração de correspondentes de guerra. O trabalho de Pelton é louvável, informando o leitor sobre a situação política dos países tratados e fornecendo dicas práticas de como se virar em grandes roubadas. O único ponto negativo é não ter nada mencionado sobre as atrações turísticas de cada local.
O guia não tem tradução em português. Para encomendar a versão em inglês, acesse o site www.comebackalive.com. No site, já se pode ter acesso a uma série de informações sobre os países perigosos. A seguir, algumas dicas de Pelton para sobreviver em zonas de conflito:
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| NO BRAÇO: Ainda na Karakoram, trio de remadores mergulha nos atrativos do lugar |
>> Contate pessoas que voltaram ou estão freqüentemente na zona de guerra em questão. Não confie em representantes dos rebeldes ou do governo local.
>> Evite conversas sobre política, não desafie a crença de seu anfitrião, seja firme, mas não beligerante.
>> Viaje somente com autorização do grupo que controla aquela área. Em muitos casos, são necessárias diversas autorizações. Lembre-se que uma carta de passagem livre emitida por determinado grupo apresentada num posto de controle de outro grupo pode ser sua sentença de morte.
>> Lembre-se que é incomum ver nãocombatentes vagando por zonas de guerra. Tenha sempre em mãos o nome da pessoa que deseja ver, seu destino final e saiba dizer claramente a razão da viagem.
>> Leve bastante dinheiro escondido em vários lugares, viabilizando uma fuga a qualquer momento.
>> Leve um kit de primeiros socorros.
>> Aprenda os efeitos, alcance e conseqüências de armas de fogo, minas terrestres, morteiros e outras máquinas de guerra.
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