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| O montanhista italiano Marco Schenone não se intimida com os 6.800 m de altitude do monte Noshaq |
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| MARAVILHAS ESCONDIDAS NUMA RODOVIA SEM LEI |
| POR SÉRGIO TÚLIO CALDAS |
MOHAMMAD AMIN, UM SUJEITO DE BARBAS DESGRENHADAS e olhar indecifrável, caminhou até os fundos da loja e logo voltou com um rifle engatilhado nas mãos. Apontou-o exatamente para a minha testa, que ficou a um palmo do cano: "Esta é a desejada Kalashnikov. Seiscentos tiros por minuto. Perfeita para ataques rápidos". Um suor frio percorreu minha espinha. Amin, dono de um pequeno comércio de armas ilegais, desfilava seu arsenal bélico para mim como se estivesse numa loja de sapatos: metralhadoras, granadas e pistolas de todos os preços. "É só escolher e levar. Temos Kalashnikov 'paralelas' a 120 dólares, fabricadas na região."
O bazar de Amin fica numa agitada e poeirenta rua da cidade de Besham, no noroeste do Paquistão, quase na fronteira afegã. Não é qualquer mapa que localiza Besham, encravada numa remota região do país chamada Indo- Kohistan. Território sem lei, seu mercado livre de armas é movimentado: um vendedor de tecidos é naturalmente vizinho de um negociante de metralhadoras.
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| À PROCURA: O corajoso expedicionário analisa tranqüilamente as pedras soltas da Karakoram |
A visita a Besham aconteceu durante minha travessia pela Karakoram Highway, rodovia que serpenteia ao longo de 1.300 quilômetros entre as montanhas mais altas do planeta, no Himalaia. Conhecida também pela sigla KKH, nessa estrada o Alcorão dita as regras de comportamento. Numa das pontas está Islamabad, capital da República Islâmica do Paquistão; na outra fica Kashgar, no noroeste da China, habitada por muçulmanos da minoria étnica uigur, unida em grupos clandestinos que articulam sua independência do domínio chinês.
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