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| O gigante Buda, talhado há dois mil anos e que não existe mais desde maio de 2001 |
Bom exemplo das maravilhas afegãs são as lindíssimas montanhas calcárias de cor ocre do vale do Bamiyan, onde foram esculpidos dois budas gigantes - destruídos em 2001 pelo regime Talibã. As esculturas se foram, mas os enormes nichos onde elas se encontravam podem ser vistos no pé do vale. Na região há ainda uma série de cavernas para se explorar em caminhadas pelas montanhas. Do alto, a vista do vale e dos picos nevados ao fundo é magnífica. A insurgência aí é menos preocupante que as minas terrestres.
Próximo a Bamiyan, está um dos mais fantásticos santuários naturais do Afeganistão, os cinco lagos de Band-i-Amir, localizados a quase 3 mil metros de altitude. O azul-turquesa da água contrasta violentamente com a aridez da terra, numa paisagem quase irreal. Mais distante, no coração de um vale remoto na região central do país, o Minarete de Jam, uma torre de forma cilíndrica com cerca de 65 metros de altura e ricamente adornada, construída no século 12 por ordem de um sultão, é considerado patrimônio da humanidade pela Unesco.
Entre as cidades, destaca-se Mazar-i-Sharif, um dos últimos bastiões de resistência Talibã durante a invasão do exército americano em 2001. A cidade é célebre por abrigar a incrível mesquita de Hazrat Ali. Em Mazar-i-Sharif e em todo o norte afegão, é disputado, durante a primavera, o violento buzkashi, espécie de jogo de pólo, uma antiga tradição local, em que no lugar da bola utiliza-se uma carcaça de cabrito. Em seu livro A Filha do Contador de Histórias, a escritora inglesa Saira Shah define o esporte como uma "paródia de guerra": "Existem poucas regras: cada time pode fazer praticamente de tudo para impedir o progresso do outro e apossar-se da carcaça. Os bravos cavalinhos, descendentes das montarias dos mongóis, são treinados para executar todo tipo de manobra e até para morder os cavalos do time adversário", escreve. Vizinha a Mazar está Balkh, município onde está uma das mais antigas mesquitas do mundo, uma das capitais do Império de Alexandre, o Grande, e, segundo a lenda, o sábio Zaratustra teria ali realizado suas pregações.
Se você perdeu a onda dos aventureiros hippies, vai ter que exercitar a paciência antes de poder conhecer todas essas maravilhas in loco. Se resolver ir agora, é porque tem alguns parafusos a menos (o que não é necessariamente tão ruim). Para ficar com água na boca, eis mais um trecho do livro de Saira Shah, sobre uma das muitas viagens que fez pelo país na década de 80: "Embora estivéssemos numa missão de vida ou morte, a viagem foi idílica. Era primavera, jorrava água de cada montanha e cabritos recém-nascidos brincavam nas encostas. Pensei que, se houvesse paz, este país seria perfeito".

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| BENÇÃO: Afegão se concentra antes de iniciar suas preces no Band-i-Amir |
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