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| TENSO: Trekking em torno do lago Band-i-Amir hoje em dia ficou restrito às populações nômades e a meia dúzia de loucos |
Experimente falar "Boa tarde, gostaria de tirar um visto para o Iraque" para alguém da Embaixada do Iraque em Brasília. Você pode ouvir algo como: "Olha, não é possível, mas, se você for louco para querer ir até lá, mande um pedido que encaminhamos para o Ministério das Relações Exteriores. Saiba que a responsabilidade é toda sua. Quem vai, raramente volta". Esse diálogo nada animador inaugurou nossa investigação sobre os lugares mais belos e perigosos do mundo. A resposta, sem meias palavras, fez este repórter relembrar a sensação que o acometeu quando, em meio a um giro pela Europa, na década de 90, teve a brilhante idéia de alcançar o Marrocos a partir do sul da Itália, atravessando a Tunísia e a Argélia por terra. O projeto foi abortado na Sicília, diante de uma advertência nada auspiciosa proferida por um anjo anônimo, que bradou: "Você vai morrer!". Na época, a Argélia passava por uma sangrenta guerra civil e os estrangeiros, especialmente jornalistas, corriam o sério risco de serem degolados. Hoje, a Argélia aos poucos se abre para o turismo. Há até uma estação de esqui em funcionamento - uma prova de que o tempo passa, o mundo dá voltas e tudo se transforma. Assim, não ficamos tão descrentes dos paraísos que mostramos nessa reportagem, atuais "Terras do Nunca". Quem sabe um dia será possível desfrutar dias relaxantes nesses picos?
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| O PATRIMÔNIO CULTURAL RIQUÍSSIMO E AS PAISAGENS DESLUMBRANTES AINDA ESTÃO NAS MÃOS DE TERRORISTAS |
ACHA POSSÍVEL IMAGINAR QUE DURANTE A DÉCADA DE 70 O Afeganistão era um plácido destino turístico dos hippies? Que a então simpática capital Cabul era uma das mais clássicas rotas de mochileiros da época, que iam da Europa ao Nepal? Os tempos realmente mudaram. Vieram os soviéticos, o regime Talibã (proibindo cidadãos de usar câmeras, internet, ler livros, cerceando direitos das mulheres e por aí vai), Bin Laden (procurado no mundo todo principalmente pelo ataque terrorista ao World Trade Center) e o exército norte-americano que bateu de frente com tudo isso. Cabul, ou o que sobrou dela, tenta se levantar das ruínas, enquanto as bombas continuam. O governo do presidente Hamid Karzai consegue controlar só um pouco mais que a capital. O resto do país é uma verdadeira terra de ninguém dominada por milícias fundamentalistas. As lavouras de papoula para produção de ópio são uma das bases da economia afegã e o tráfico internacional da droga alimenta essas milícias. O sul e o leste, infestados de remanescentes do Talibã e da rede terrorista Al Qaeda, são chamados de "no go areas", ou seja, lugares para se passar longe, de acordo com o guia Lonely Planet, uma das Bíblias dos viajantes.
Um triste contraponto é que nessas terras sofridas, onde a vida se fixou nos férteis vales que contrastam com a aridez das montanhas, há paisagens magistrais, pontuadas por antiqüíssimas intervenções humanas. O país localiza-se entre o Irã, a Índia e a Ásia Central e foi uma importante rota comercial disputada por diversos impérios durante cerca de três milênios. Ou seja: o patrimônio cultural afegão está entre os mais ricos do mundo.
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