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ALADO: Shane McConkey sobrevoa o México de wingsuit. Ao lado, ele em terra firme, na Suíça
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"Detonamos a pista sassonguer hoje!", alardeava o título do post de 25 de março no blog de Shane McConkey.Embora Shane, 39 anos, fosse mais conhecido como um dos esquiadores mais inovadores nos últimos 20 anos, esta pista em particular o interessava por razões que iam além do esqui. Há mais de uma década ele já era um ávido praticante de base jump, e aqui nas montanhas Dolomitas, nos Alpes italianos, em uma ladeira de gelo de 45 graus na montanha Sassongher, de 2.625 metros de altura, ele encontrou o local perfeito para juntar suas duas maiores paixões num pitoresco salto de ski-base. Ele havia chegado alguns dias antes com o esquiador profissional e colega de base jump J.T. Holmes, 29, e uma equipe de filmagem de quatro pessoas da MSP Films (Matchstick Productions). O grupo seguiu para o couloir Val Scura, em Sassongher, para explorar uma paisagem que só poderia deixar animado alguém como Shane. "A aproximadamente um terço do caminho de descida, tem uma rampa que sobe e vira para a direita, e leva para um belo campo de neve acima de um penhasco de uns 300 metros", ele escreveu.
Shane foi na frente, ziguezagueando umas três ou quarto vezes pela neve firme antes de se jogar do penhasco com um flip frontal, despencando em queda livre por alguns segundos até que abriu seu paraquedas, pousando suavemente no vale coberto de neve. Trinta segundos depois que ele pousou, J.T., que desceu pelo campo de neve acima, em linha reta, saltou penhasco afora, eventualmente se juntando ao amigo. "Hoje foi um bom dia", blogou Shane.
Atraído pelo paraquedismo por um inato amor pelo voo, Shane começou a praticar a modalidade em 1995 e fez seu primeiro base jump no final de 1996. Ele e um de seus melhores amigos, Miles Daisher, estavam sendo treinados pelo pioneiro do esporte, Frank Gambalie, quando, em 1999, Frank se afogou após concluir com sucesso um salto ilegal no El Capitan, no Parque Nacional de Yosemite, e tentar atravessar a nado o agitado rio Merced para fugir dos guardas florestais.
Após a interrupção da tutelagem, Shane e Miles concluíram o aprendizado juntos, preenchendo as lacunas no conhecimento um do outro. Shane acabou realizando mais de 700 saltos e adorava levar o esporte a novos territórios. Apresentou seu amigo J.T. ao base jump em 2002; no inverno do ano seguinte, inspirado pela cena de perseguição com esquis no filme do James Bond, O Espião que Me Amava, que termina com um dublê saltando do penhasco e abrindo seu paraquedas, Shane e J.T. realizaram seu primeiro ski-base juntos em um penhasco de 120 metros em Lover's Leap, perto de Lake Tahoe, na Califórnia.
Conforme suas ambições no ski-base jump progrediam e eles usavam suas novas habilidades para explorar pistas antes inexploráveis - os dois chegaram a fazer ski-base no Eiger (uma das montanhas mais lendárias e perigosas da Suíça), em 2004 -, as limitações que os esquis impunham aos saltos começaram a incomodálos. "Chegamos a um platô com nossas manobras e nossa habilidade na queda livre com os esquis", conta J.T., "e alcançamos um ponto em que a gente disse: 'Vamos saltar de esquis, dar uns flips, mas então a gente faz o quê?' ".
É aí que entra o wingsuit, um macacão com abas debaixo dos braços e entre as pernas. No ar, a roupa inteira se infla, transformando o saltador em uma asadelta humana. Em fevereiro de 2007, de um penhasco de mil metros de altura na Noruega, Shane e J.T. realizaram com sucesso três saltos de ski-base com wingsuits, nos quais esquiaram penhasco afora, soltaram seus esquis e voaram por cerca de 40 segundos antes de abrirem seus paraquedas. Foi a primeira vez que algo assim foi sequer tentado. Convencidos de que estavam no caminho certo, voltaram para a Noruega no mesmo verão, junto com Miles e uma equipe de filmagem da MSP, para aprimorar suas habilidades de voo. "O wingsuit é o mais perto que se pode chegar do voo humano não motorizado", explicou no programa que a MSP montou, o Focused.
Um ano depois, Shane foi para a Itália para fazer base jump nas Dolomitas, e achou que os picos e pináculos serrados dos Alpes italianos eram o lugar perfeito para dar prosseguimento à evolução do ski-base. Em janeiro, mandou um e-mail para a MSP e para um de seus principais patrocinadores, a Red Bull. "Já faz algum tempo que tenho algumas metas pessoais e gostaria de conquistá-las", escreveu, propondo uma viagem em março e incluindo um roteiro detalhado, fotos dos penhascos em que estava de olho e um resumo de suas metas.
A primeira delas era fazer ski-base a partir de uma linha clássica que eles tinham esquiado no Sassongher. A segunda era fazer mais saltos de ski-base com wingsuits. E a terceira e mais audaciosa de todas era tentar um ski-base em dois estágios, no qual ele e J.T. saltariam de ski-base de um penhasco, pousariam com seus esquis, e daí esquiariam até um segundo penhasco, usando um segundo paraquedas para chegar ao solo. "O salto de dois estágios era o próximo passo, e Shane vivia para dar sempre esse próximo passo", lembra Steve Winter, um dos fundadores da MSP e chefe da equipe de filmagem na Itália. "Ele sempre pensava no futuro".
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