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| EMPURRA-EMPURRA: Os membros da expedição puxam um riquixá caseiro, cheio de equipamento de surf e camping, pela costa atlântica da França |
O que aprendi na minha expedição francesa surfista de férias de verão com os bombeiros, os nudistas & o viciado em shampoo
Era para ser uma viagem de sonho: uma semana por uma das últimas costas vazias da Europa, pegando onda, tomando vinho e dormindo na praia. E foi (quase totalmente)
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| BURRO DE CARGA: O chefe da trip, Pat Audoy, com os arreios do riquixá |
PUXAR UM RIQUIXÁ É MAIS DIFÍCIL DO QUE PARECE
E eu não estou falando daqueles puxadores de gente que se vê nas ruas de Calcutá. O nosso riquixá foi projetado para carregar pranchas de surf e material de camping, e era parte integrante da missão da nossa equipe de cinco homens: uma semana de caminhada de 50 quilômetros ao longo da costa atlântica do sul da França - um trecho de praias surpreendentemente desertas a oeste de Bordeaux, que por acaso também tem umas das melhores ondas da Europa.
Pat Audoy, um bombeiro de compleição robusta que era o líder da nossa viagem, construiu uma carrocinha com uma intenção muito bem definida. Ele usou duas varas grossas de bambu com três metros cada uma, canos de aço inoxidável, tela plástica verde, uma porção de abraçadeiras e dois pneus que mais pareciam rosquinhas infladas. Era sensacional.
E era também absurdamente difícil movimentar aquilo quando a maré alta ou o vento que estava soprando contra - o que acontecia basicamente o tempo todo - nos empurrava para fora da areia dura, para a parte mais fofa. Nessas horas, saíamos da propulsão de um só homem (que funcionava muito bem com um cara empurrando uma barra atravessada e presa aos bambus) para a propulsão em equipe de três. A gente engatava o riquixá nas mochilas com um mosquetão e uns dois metros e meio de corda de nylon para tentar empurrar e puxar simultaneamente. Trabalhávamos em turnos, mas parecia que a frequência tendia mais a chegar na minha vez e na do meu grande amigo Troy Rodriguez, 38, representante de vendas de uma indústria farmacêutica de San Diego. Isso não era sensacional.
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| PAUSA: Acampamento no quinto dia |
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| GPS: Pat consulta o mapa com um amigo local |
AS MELHORES AVENTURAS ACONTECEM NOS LUGARES MAIS INSÓLITOS
Eu conheci o Pat em outubro de 2007, numa vila à beira do rio Qiantang, no sudeste da China. O Qiantang tem pororocas - ondas grandes empurradas rio acima por marés muito fortes - regulares, e eu estava fazendo o reconhecimento da área para uma expedição de surf de uma equipe de prós norte-americanos. Pat e Eduardo Bagé, surfista longboarder profissional e brasileiro de 30 anos, estavam ali para surfar a pororoca, uma das 12 no mundo que são surfáveis. Começamos a falar de trips de surf e mencionei que havia feito umas expedições a pé na Califórnia e na Costa Rica, carregando minha prancha durante uma semana ou mais, para chegar a praias de difícil acesso e, consequentemente, vazias. A próxima expedição da minha lista era na França.
Pat acendeu um cigarro e olhou para mim com um sorriso enorme. "Eu também faço essas viagens", ele disse. "Nunca havia conhecido alguém que fizesse a mesma coisa". Ele contou que usava riquixás caseiros desde sua adolescência para carregar as pranchas até as ondas desertas de Bordeaux, mas nunca havia tentado nada tão ambicioso quanto o que eu tinha em mente. Ali mesmo, decidimos fazer uma viagem juntos.
Depois da China, lentamente começamos a planejar por email. As ondas ao norte de Bordeaux quebram sobre bancos de areia que se movem, escreveu ele, e o surf é melhor no outono, quando os ventos de alto mar penteiam as altas ondas em faces espelhadas. Também convidamos Bagé e Troy, e mais tarde recebemos Martin Hartley, um fortão de 40 anos, fotógrafo britânico que documentou mais de uma dúzia de expedições ao Ártico. O Pat insistiu para que calculássemos a viagem para coincidir com o mascaret (palavra francesa para pororoca) de setembro no rio Dordogne, que poderíamos surfar antes da expedição.
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