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| MAIS QUE VENTO: Cape Hatteras tem também as melhores ondas da costa leste norte-americana. Aqui, Trip Forman se diverte num downwind até o sul da ilha |
Há poucos minutos meus pensamentos
eram só ordens militares do meu cérebro para meu corpo. Afunde os calcanhares na água! Estenda os braços! Olhe para onde quer ir! Ensopados e salgados, meus circuitos neurais tentavam desesperadamente manter o controle de tudo: corpo, pipa, prancha, velocidade, equilíbrio. Até que, de repente, tudo silenciou e não pensei em mais nada. Nem o barulho do vento eu ouvia mais. Virou tudo uma coisa só - eu, o mar, o vento, os equipamentos. Nem percebi direito como isso aconteceu. A pipa, inflada, me arrasta e pela primeira vez está obediente. Minhas pernas, com um recém- adquirido sistema de suspensão inteligente, adaptam a prancha ao sobe e desce das ondas. Olho pro horizonte, de peito aberto pro Atlântico. Posso ir assim, meio voando e meio surfando, para o lado que bem entender.
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Tudo se encaixa tão bem que, pela primeira vez desde que resolvi aprender esse esporte, consigo relaxar e até pensar em outras coisas. E lembro da matéria que li há três anos na Outside norte-americana sobre o lugar onde estou agora, Cape Hatteras, e sobre a Real Watersports, supostamente a melhor escola de kitesurf do mundo, e grande responsável por aquele momento nirvânico. Na reportagem, intitulada "O windsurf foi cancelado", o jornalista Michael Behar fala de quando, depois de muito esforço, entrou na "the zone" - um estado em que o velejo passa a fluir, como num clique. Ri, sozinha, no meio do mar, e gritei para meu professor, Sam Bell, que me acompanhava num jet ski: "Estou na zona!".
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