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    Alto risco
O que inspira uma mente aventureira? Talvez você fique surpreso com as respostas dos oito aventureiros, expedicionários e profissionais que ilustram as próximas páginas. Para fazerem o que mais gostam, eles têm que olhar nos olhos do perigo - e conviver com o que vêem dentro deles

DEPOIMENTOS DADOS A MARIO MELE

MARINA B. KLINK

Critérios e métodos
Por Amyr Klink

Amyr klink, 54, é um dos maiores expedicionários brasileiros de todos os tempos. Já obteve sucesso em projetos dificílimos, como circunavegações polares e longas viagens a remo, além de ser autor de best-sellers

PARA QUEM OLHA DE FORA, o risco de velejar sozinho parece bem maior. Só que a maneira de administrar esse risco depende de uma única cabeça. Aprecio a convivência com outras pessoas, mas quando se navega sozinho, as coisas são mais fáceis, por incrível que pareça. Quando há várias pessoas, geralmente uma é a responsável pela segurança de todas. Ou seja, se você coloca um cara para olhar se tem gelo do lado de fora e ele cochilar, estará colocando em risco todos os outros tripulantes, que de fato estariam dormindo. E eu não aceito descuido.

Eu gosto de viajar de barco, não importa o tipo. Monocasco, catamarã, trimarã, lancha, veleiro... É uma atividade à qual dedico a minha vida. Fora de uma embarcação sou meio brincalhão, bagunceiro, mas dentro de uma sou muito rigoroso. Entre umas quinze embarcações que viajam regularmente para a Antártica, talvez a minha seja a única que não se envolveu num acidente. Nunca voltei pra casa com o barco avariado.

As pessoas se prendem mais na travessia que fiz do Atlântico a remo, em 1984, e na minha viagem entre os dois polos, entre 1989 e 1991, porque essas duas expedições apareceram mais na mídia. Mas fiz uma segunda volta pela Antártica, entre 2003 e 2004, que é um recorde mundial até hoje. Foi sem escalas e muito mais arriscada do que a primeira, de 1998. Havia tripulantes sem nenhuma experiência, e, portanto, as chances de ocorrer um acidente eram bem maiores. Embora eu pudesse desfrutar do conforto de ter uma tripulação, de conseguir dormir um pouco mais do que uma hora, havia o risco permanente de perder uma pessoa. E, quando você está navegando na convergência Antártica, errou, morreu; esqueceu, morreu. Não é que você se machuca, morre mesmo. Hoje há recordes de velocidade batidos geralmente por caras de bastante idade, mas que são muito competentes na questão de administrar o risco.

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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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