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    O rei dos reality shows

POR CHRISTOPHER KEYES

O homem que inventou o eco-challenge e lançou o reality show survivor, cuja última temporada foi filmada no Jalapão, aponta agora suas câmeras para quatro exploradores na tentativa de retraçar a jornada de sete meses do jornalista Henry Stanley na áfrica do século 19 para encontrar o mais famoso explorador perdido do mundo, o escocês David Livingstone

Um jornalista, um líder de expedição, uma primatóloga e um expert em sobrevivência numa selva da África. Não, não é o começo de uma piada, é a premissa por trás de Expedition, nova série que acabou de ser exibida no History Channel dos EUA, e ainda não tem previsão de estreia no Brasil. Nesse programa, quatro aventureiros escolhidos a dedo (e que não se conhecem) tentam retraçar o caminho de uma das mais famosas expedições da história. O problema - tchan, tchan, tchan, tchaaaaaan - é que eles têm 30 dias para fazer isso! O criador e responsável por esse drama pré-fabricado é Mark Burnett, 48 anos. Ex-paraquedista do exército britânico, ele criou a corrida de aventura Eco- Challenge, em 1995, transformada em série de TV no mesmo ano. E depois de 18 temporadas de Survivor (cuja versão brasileira ficou conhecida como No Limite), já filmou nos lugares mais remotos do planeta. Para Burnett, Expedition será um retorno às raízes.

FOTO MICHAEL GRECCO/ GETTY IMAGES
CRIADOR: Mark Burnett é o criador do reality show Survivor e do Eco-Challenge, prova de aventura realizada entre 1995 e 2002

GO OUTSIDE: Você podia escolher qualquer expedição na história. Por que a busca por David Livingstone?
Burnett: Talvez porque muitos norteamericanos não conheçam a verdadeira história por trás dela.

Então, qual é a verdade?
Livingstone era tão reverenciado que seus carregadores africanos transportaram seu corpo de volta por mais de 1.500 quilômetros pela África, para daí ser levado de volta à Inglaterra. Ele foi enterrado na abadia de Westminster, no maior funeral público na história do Reino Unido até a Princesa Diana. Isso para mostrar a opinião que a Inglaterra tinha desse escocês. E a razão para os norte-americanos financiarem Stanley foi que o dono do jornal New York Herald quis ganhar um furo em cima da Grã-Bretanha. Foi quase como um "foda-se" por parte dos Estados Unidos. "Você perdeu sua pessoa mais famosa? Tá brincando! A gente acha ele". E acharam mesmo. Quero dizer, esse Stanley era um cara bem durão.

No Survivor tem o conselho tribal para criar intriga e mover a história. Como funciona nos episódios só com a expedição?
No Survivor, as pessoas em quem você vota para sair são as que decidem quem ganha no final. É um jogo de estratégia na liderança: como mando alguém embora sem fazer essa pessoa deixar de gostar de mim? Neste programa, o fio narrativo é o seguinte: sabemos para onde estamos indo, vamos filmando tudo pelo caminho e deixando as coisas irem acontecendo.

Hoje em dia parece que estamos em uma era pós-moderna da exploração, em que a aventura consiste em refazer aventuras históricas. Será que a aventura de verdade acabou?
Cinco anos atrás levei meu filho comigo quando estava pesquisando locações para o Survivor em Fiji. Me lembro de chegar a uma aldeia nas montanhas e meu filho ser a primeira criança branca que o povo de lá tinha visto. E isso é Fiji, que as pessoas associam só com praias e turismo. Dá para encontrar aventura. Quando subimos o rio Negro, na Amazônia, onde filmamos uma temporada do Survivor, uma anaconda chegou a atravessar o conselho tribal numa noite.

 

   
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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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