O homem que inventou o eco-challenge e lançou o reality show survivor, cuja última temporada foi filmada no Jalapão, aponta agora suas câmeras para quatro exploradores na tentativa de retraçar a jornada de sete meses do jornalista Henry Stanley na áfrica do século 19 para encontrar o mais famoso explorador perdido do mundo, o escocês David Livingstone
Um jornalista, um líder de expedição, uma primatóloga e um expert em sobrevivência numa selva da África. Não, não é o começo de uma piada, é a premissa por trás de Expedition, nova série que acabou de ser exibida no History Channel dos EUA, e ainda não tem previsão de estreia no Brasil. Nesse programa, quatro aventureiros escolhidos a dedo (e que não se conhecem) tentam retraçar o caminho de uma das mais famosas expedições da história. O problema - tchan, tchan, tchan, tchaaaaaan - é que eles têm 30 dias para fazer isso! O criador e responsável por esse drama pré-fabricado é Mark Burnett, 48 anos. Ex-paraquedista do exército britânico, ele criou a corrida de aventura Eco- Challenge, em 1995, transformada em série de TV no mesmo ano. E depois de 18 temporadas de Survivor (cuja versão brasileira ficou conhecida como No Limite), já filmou nos lugares mais remotos do planeta. Para Burnett, Expedition será um retorno às raízes.
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CRIADOR: Mark Burnett é o criador do reality show Survivor e do Eco-Challenge, prova de aventura realizada entre 1995 e 2002 |
GO OUTSIDE: Você podia escolher qualquer expedição na história. Por que a busca por David Livingstone?
Burnett: Talvez porque muitos norteamericanos não conheçam a verdadeira história por trás dela.
Então, qual é a verdade?
Livingstone era tão reverenciado que seus carregadores africanos transportaram seu corpo de volta por mais de 1.500 quilômetros pela África, para daí ser levado de volta à Inglaterra. Ele foi enterrado na abadia de Westminster, no maior funeral público na história do Reino Unido até a Princesa Diana. Isso para mostrar a opinião que a Inglaterra tinha desse escocês. E a razão para os norte-americanos financiarem Stanley foi que o dono do jornal New York Herald quis ganhar um furo em cima da Grã-Bretanha. Foi quase como um "foda-se" por parte dos Estados Unidos. "Você perdeu sua pessoa mais famosa? Tá brincando! A gente acha ele". E acharam mesmo. Quero dizer, esse Stanley era um cara bem durão.
No Survivor tem o conselho tribal para criar intriga e mover a história. Como funciona nos episódios só com a expedição?
No Survivor, as pessoas em quem você vota para sair são as que decidem quem ganha no final. É um jogo de estratégia na liderança: como mando alguém embora sem fazer essa pessoa deixar de gostar de mim? Neste programa, o fio narrativo é o seguinte: sabemos para onde estamos indo, vamos filmando tudo pelo caminho e deixando as coisas irem acontecendo.
Hoje em dia parece que estamos em uma era pós-moderna da exploração, em que a aventura consiste em refazer aventuras históricas. Será que a aventura de verdade acabou?
Cinco anos atrás levei meu filho comigo quando estava pesquisando locações para o Survivor em Fiji. Me lembro de chegar a uma aldeia nas montanhas e meu filho ser a primeira criança branca que o povo de lá tinha visto. E isso é Fiji, que as pessoas associam só com praias e turismo. Dá para encontrar aventura. Quando subimos o rio Negro, na Amazônia, onde filmamos uma temporada do Survivor, uma anaconda chegou a atravessar o conselho tribal numa noite.