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  SKATE
  Outra arma
Há seis anos, o australiano Oliver Percovich foi morar no Afeganistão. Numa tarde, saiu para dar um rolê de skate pelas ruas de Cabul e acabou transformando - para melhor - a vida de muitas crianças e adolescentes afegãos

(MARIO MELE)

Como é a relação dos afegãos com os esportes?
Eles são muito competitivos, principalmente quando a disputa requer força física. Os esportes mais populares são o buskashi (jogo entre cavaleiros de duas equipes disputando os restos de uma cabra decapitada), a rinha de cachorro (permitida no país), futebol, vôlei, duelo de pipas e fisiculturismo.

Você teme alguma coisa morando no Afeganistão?
Temo estar perto quando acontecer um ataque suicida.

E como nasceu a ideia da escola?
Há mais de 10 anos eu queria construir um parque de skate em algum país menos desenvolvido. A partir do interesse que as crianças afegãs demonstraram pelo esporte, a ideia cresceu, e as coisas foram acontecendo naturalmente. Penso que se tiver mais skates por aqui, podemos inaugurar um pequeno clube.

Como tem sido a luta para manter a Skateistan na ativa?
Em setembro de 2008 a situação estava bem complicada. Não tínhamos dinheiro e nenhum apoio. Hoje as coisas melhoraram um pouco. Mas nunca pensei em desistir.

Quais são os próximos planos para a escola?
É a construção de uma pista de 2.400 metros quadrados, próxima ao estádio olímpico de Cabul, onde seria também nossa sede. Depois disso, quem sabe não expandimos a Skateistan para outras regiões do Afeganistão.

E qual foi a sua maior recompensa pessoal até hoje?
Ver o entusiasmo das crianças aprendendo a andar. Mirwais, por exemplo, que tem 16 anos, melhorou como pessoa desde que começou a andar conosco. Seu pai, seus irmãos e todos que convivem com ele têm comentado que ele está mais generoso, educado e cortês. Quando o conheci, ele andava largado pelas ruas, cheirando cola, e era uma pessoa muito revoltada.

Qualquer pessoa pode ajudar a Skateistan?
Sim! Temos recebido apoio financeiro de governos e embaixadas de outros países, além de doações de pessoas físicas do mundo inteiro, via conta bancária e PayPal (um site que permite transferência bancária de uma conta pra outra). Quem quiser colaborar pode se informar por meio do site skateistan.org.


SKATE OR DIE: Ninguém imaginaria que uma fonte de concreto construída pelos soviéticos durante a Guerra Fria, e hoje desativada, pudesse se transformar no primeiro ponto de encontro dos skatistas em Cabul. Ao lado, o skatista afegão Shams Razi ensina às crianças uma modalidade que também é nova para ele

 

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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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