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    Linha de frente
"As árvores somos nós", já dizia o hit do Youtube. E é isso também que dizem, de diferentes formas, os 10 ativistas que encabeçam os projetos de meio ambiente mais bacanas em andamento hoje no Brasil. Nas páginas a seguir, eles falam dos vilões e das soluções para as questões ambientais brasileiras. E você tem tudo a ver com isso

Por Heloísa Ribeiro Colaboração Sylvia D. Estrella

AÇÃO: Ativistas da Sea Shepherd jogam garrafas com ácido butírico contra o navio baleeiro japonês Yushin Maru 1, na Nova Zelândia.

DESAFIO PAULISTA

ONG: INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL

Baseada em São Paulo (SP), ela existe desde 1994. Hoje tem filiais em São Gabriel de Cachoeira (AM), Brasília (DF) Parque Indígena do Xingu (MT), contando com diferentes parcerias para cada um de seus programas. A campanha De Olho nos Manancias tem apoio de nove instituições: Cauxi Comunicação, Annix, Bijari, Grendene, Movimento Nossa São Paulo, NBS Comunicação, Prefeitura de São Paulo e Agência 2 e 1/2.

PROJETO: DE OLHO NOS MANANCIAIS

Pelo menos 10% da população da cidade mais rica do país não têm acesso a água de qualidade. Mais de 80% do esgoto brasileiro vão para os rios, e pagamos cada vez mais para tratar essa mesma água. Ter água limpa depende do envolvimento de todos os atores quando o cenário é a megalópole, local de ocupação desenfreada e de recordes assustadores. E a campanha De Olho nos Mananciais conseguiu fazer muita gente parar para pensar nisso.

ATIVISTA: MARUSSIA WHATELY

Graduada em Arquitetura e Urbanismo, Marussia logo percebeu que a questão urbana está totalmente ligada à proteção dos recursos naturais, já que água, áreas verdes, clima e qualidade do ar são a base da vida em qualquer ambiente. A infância vivida nas margens da Guarapiranga fez aumentar a preocupação de Marussia com o caos das represas paulistas ----- Billings, Guarapiranga e Sistema Cantareira. No Instituto Socioambiental (ISA) desde o início da década de 2000, Maru, como é conhecida, assumiu a condução do Programa Mananciais, que em 2007 germinou a campanha De Olho nos Mananciais, e passou a articular uma rede de entidades comprometidas com a recuperação das fontes de água da cidade. Em mais de 10 anos de luta pelos mananciais, o ISA acertou ao questionar "De onde vem a água que você bebe?", para que todo cidadão relacionasse seu uso pessoal com a preservação das fontes naturais. Atrás dessa trincheira da causa ambiental, a coordenadora pôde acompanhar o aumento da consciência dos paulistas para um de seus bens mais preciosos.

Go Outside: O que é a campanha e como ela funciona?

Maru: A campanha "De Olho nos Mananciais" é produto do Programa Mananciais, que nasceu originalmente para produzir diagnósticos sobre a situação da água paulista. O programa elaborou relatórios como "Billings: ameaças e perspectivas do maior reservatório da região metropolitana" e "Guarapiranga: como e por que São Paulo está perdendo este manancial". A partir dessas informações, passamos a buscar o envolvimento dos "atores" locais - moradores, ONGs, associações, órgãos públicos etc.

Promovemos atos públicos de alerta sobre a escassez, organizamos mobilizações para recuperar as áreas verdes, fizemos esforços para barrar o crescimento das cidades sobre os mananciais e trabalhamos a conscientização de que a água é responsabilidade de todos. Hoje temos uma agenda ambiental compartilhada por vários setores, e nosso papel é não só colocar o tema da água em pauta como também apresentar quem e o que fazer. O site da Campanha, mananciais.org.br, integra todas as informações e oferece mecanismos interativos, como o GoogleMaps, que permite ao internauta identificar de onde vem a água que bebe em sua casa.

DE CIMA: Vista aérea da represa Billings, em São Paulo

Qual o impacto e os resultados que a campanha vem obtendo?

As mobilizações ampliaram a consciência sobre a situação calamitosa das fontes de água e, o mais importante, isso teve reflexo nas políticas públicas. Conseguimos produzir uma plataforma política para os mananciais e obter o compromisso dos representantes eleitos com as ações que precisam ser feitas para reverter a degradação na Grande São Paulo, como implantação de saneamento nas áreas urbanas e fim do crescimento das cidades nas represas. Todo ano promovemos o Abraço da Guarapiranga, em que damos as mãos em volta do manancial. Outro momento marcante foi a Expedição Fotográfica, com 1.190 participantes inscritos que, organizados em 74 grupos, saíram para fotografar os diversos pontos das bacias hidrográficas que abastecem São Paulo, numa ação de educação por meio da arte, coordenada por grandes fotógrafos do país. O resultado foi publicado no mananciais.org.br/expedição.

Quais os principais problemas dessa área?

Vivemos um enorme paradoxo: num mundo em que a escassez de água é cada vez mais intensa e acentuada pelas mudanças climáticas, os aglomerados humanos são cada vez maiores e desvalorizamos cada vez mais as áreas que produzem água, favorecendo as construções urbanas. Nem sabemos onde ficam os rios de São Paulo, hoje cobertos pelo asfalto, ou seja, abrimos mão dos nossos rios para ter a cidade. Conhecemos onde estão os prédios, mas não associamos a avenida Paulista com um acidente geográfico, um elemento natural. Fora isso, sabemos que 1 bilhão de pessoas não tem acesso à água no mundo e que a distribuição no Brasil é desigual. Em São Paulo temos que buscar este recurso cada vez mais longe, em outras bacias.

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Edição nº 53 - Outubro/09
 
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