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    Linha de frente
"As árvores somos nós", já dizia o hit do Youtube. E é isso também que dizem, de diferentes formas, os 10 ativistas que encabeçam os projetos de meio ambiente mais bacanas em andamento hoje no Brasil. Nas páginas a seguir, eles falam dos vilões e das soluções para as questões ambientais brasileiras. E você tem tudo a ver com isso

Por Heloísa Ribeiro Colaboração Sylvia D. Estrella

Quais são os vilões que mais comprometem os recursos hídricos?

No Brasil, o grande vilão das mudanças climáticas é o desmatamento, a mudança no uso da terra por causa da agropecuária. No mundo, é a queima de combustível fóssil pelas indústrias e automóveis. Apesar de termos uma matriz considerada limpa, de energia hidrelétrica, estamos conseguindo sujar isso também. O governo inventou a moda de construir termoelétricas, usinas movidas a óleo díesel e a carvão. Além de não resolver o problema do desmatamento, estamos aumentando o uso de combustível fóssil.

Como o leitor pode atuar nessa área, na prática?

Sugiro algumas dicas da campanha Mude o Clima, que estão em nosso site. Em casa, acumule várias peças de roupa para passar todas de uma vez, e instale a geladeira ou freezer em um local ventilado, longe do fogão. No trabalho, use os dois lados da folha de papel e procure imprimir documentos de uso interno em rascunhos. Procure usar também ônibus, trem e metrô.

Questionar o desperdício para mudar a atitude

ONG: INSTITUTO AKATU

Surgiu em 2000, com sede em São Paulo (SP), e desde então teve o apoio de parceiros pioneiros como Fundação Avina e Fundação Kellog's, Nestlé, Banco Real, HP e Itaú Social. Hoje já são mais de 30 empresas entre apoioadores, patrocinadores e parceiros estratégicos.

PROJETO: 1/3 DO QUE VOCÊ COMPRA VAI DIRETO PARA O LIXO

Mobilizar as pessoas para seu papel transformador como consumidoras para uma sociedade mais sustentável. Essa tem sido a missão do instituto Akatu desde que foi gerado, em 2000, dentro do instituto Ethos de Responsabilidade Social. Na mesma lógica do nome Akatu, que em tupi-guarani significa "semente boa", a ONG vem conseguindo fazer a boa ideia do consumo consciente vingar entre os brasileiros, principalmente por meio de campanhas que questionam hábitos de compras. A última delas, 1/3 Do Que Você Compra Vai Direto Para o Lixo, usa a linguagem dos grandes supermercados para alertar para os desperdícios de alimentos e dar dicas para diminuir esse problema. A campanha partiu da constatação de que 1/3 dos alimentos comprados é desperdiçado - e, junto com eles, todas as embalagens, a água e a energia usadas na produção, e o CO2 emitido na fabricação e no transporte.

ATIVISTA: HELOISA TORRES DE MELLO

A gerente de operações do instituto Akatu é formada em publicidade e tem MBA em marketing pela Universidade de São Paulo. A trajetória profissional começou em agências de propaganda e grandes empresas na área de marketing, mas o interesse na questão da sustentabilidade a fez implantar diferentes projetos de responsabilidade social nas várias empresas em que atuou. Há dois anos, porém, Heloísa direcionou esta bagagem para o terceiro setor, e partiu para a aventura de divulgar o consumo consciente para o grande público, informando, e, principalmente, tentando sensibilizar as pessoas para seu papel como multiplicadores dos ideais do Akatu.

Go Outside: O que é a campanha e como ela funciona?

Heloisa: A campanha, criada pela agência de publicidade Leo Burnett, tem o objetivo de alertar o consumidor sobre o nível de desperdício de alimentos que compramos. Mas mais do que chamar a atenção para este fato, mostramos que é possível mudar algo coletivo por meio de pequenos gestos diários individuais. As peças da campanha incluem um comercial de TV e cinema com duração de 30 segundos, um spot de rádio de 45 segundos, anúncios em revista e jornal, banners on-line e até um toque de celular. A linguagem é parecida com a dos anúncios de ofertas do varejo. Com a chamada "Olha que loucura!" são exibidas imagens de frutas, hortaliças, carnes e laticínios estragados, ao lado do preço de cada produto.

Qual o impacto e os resultados que a campanha vem obtendo?

A ideia é levar a pessoa ao questionamento, e também enfatizar os pequenos gestos que fazem parte da solução. Por a campanha ter sido veiculada em mídia de alcance nacional - como Rede Globo, TV Cultura e SBT, canais de TV paga, jornais como Gazeta Mercantil, O Globo e Valor Econômico, mais de 80 sites, blogs e rádios via internet -, o número de acessos ao site do Akatu (akatu.org.br) mais que dobrou. As imagens dos alimentos estragados impactam o público e geram reações emocionais. As pessoas conseguem identificar situações semelhantes na rotina de suas casas. Isso foi comprovado por uma pesquisa de avaliação da campanha junto a um público interessado em responsabilidade social, composto por grupos de homens e mulheres entre 18 e 35 anos. Identificando-se com as cenas de desperdício, os consumidores admitem agir dessa maneira. Considerando que a sociedade é responsável por mudar esse cenário, eles se sentem impelidos a deixar de desperdiçar

Por que é preciso trabalhar com o consumo consciente?

Todo consumo causa impacto (positivo ou negativo) na economia, nas relações sociais, na natureza e em você mesmo. Ao desenvolver a consciência sobre esse impacto na hora de escolher o que comprar, de quem comprar e definir a maneira de usar e como descartar o que não serve mais, o consumidor aumenta os impactos positivos e diminui os negativos. Desta forma faz uso de seu poder de consumo para contribuir com um mundo melhor. O consumidor consciente busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e o bem-estar do planeta, preferindo produtos que tragam consequências positivas para si mesmo, mas também para as relações sociais, para a economia e para a natureza. Ele também busca disseminar tais práticas, fazendo com que pequenos gestos realizados por um número muito grande de pessoas promovam grandes transformações.

Quais são os vilões dessa história?

Acho que são os padrões de consumo e produção, pois caso sejam mantidos no atual patamar, em menos de 50 anos serão necessários dois planetas Terra para atender às nossas necessidades de água, energia e alimento. Não é preciso dizer que esta situação pode dificultar a vida no planeta, inclusive da própria humanidade. A melhor maneira de mudar isso é a partir das escolhas de consumo, pois elas determinam também as características do mundo onde vivemos. Ao decidir sobre as seis dimensões do consumo - por que comprar, o que comprar, como comprar, de quem comprar, como usar e como descartar o que não serve mais - o consumidor está votando no mundo em que quer viver.

Como o leitor pode atuar nessa área, na prática?

O consumo consciente pode ser praticado no dia a dia, por meio de gestos simples que levem em conta os reflexos da compra, pelo uso ou descarte de produtos ou serviços, ou pela escolha das empresas da qual comprar, em função de seu compromisso com o desenvolvimento socioambiental. É uma contribuição cotidiana para garantir a sustentabilidade da vida. Alguns exemplos: ler um rótulo atentamente antes da compra; usar integralmente os alimentos; optar por detergentes biodegradáveis (é possível encontrá-los em qualquer supermercado); usar os produtos até o final de sua vida útil, só comprando um novo quando for realmente necessário; dar preferência a produtos com selos de certificação, que indiquem uma qualidade diferenciada do produto, seja ambiental, social ou de qualidade.

E quais as dicas para não desperdiçar alimentos em casa?

Há maneiras simples de evitar o desperdício. Planeje suas compras e confira o que ainda tem em casa antes de sair, evitando o supérfluo, que pode acabar parando na lata do lixo. Faça três, quatro compras por mês para comprar produtos perecíveis mais frescos e em menor quantidade. Preste atenção aos prazos de validade. Não faça compras com fome. Prefira frutas e legumes da época e produzidos nas redondezas, eles normalmente são mais frescos e baratos e requerem menos transporte, provocando menor aquecimento da Terra pelo gasto menor de energia. Leia as informações nutricionais nos rótulos de alimentos de forma a escolher produtos que permitam preparar refeições equilibradas nutricionalmente e também na quantidade certa, para evitar sobras. Mas se as sobras aparecerem, aproveite-as em novas receitas: das sobras do feijão faça sopa; frutas azedas ou maduras demais viram compotas, geleias e recheios para bolo. Ao cozinhar, não despreze as cascas de legumes, os talos de verduras e nem as sementes.

Leia mais na edição de maio de Go Outside

 

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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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