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    Linha de frente
"As árvores somos nós", já dizia o hit do Youtube. E é isso também que dizem, de diferentes formas, os 10 ativistas que encabeçam os projetos de meio ambiente mais bacanas em andamento hoje no Brasil. Nas páginas a seguir, eles falam dos vilões e das soluções para as questões ambientais brasileiras. E você tem tudo a ver com isso

Por Heloísa Ribeiro Colaboração Sylvia D. Estrella

Que outras iniciativas estão dando certo?

A questão da água é global, mas creio que os projetos bem-sucedidos são aqueles que trabalham o aspecto local, ampliando a consciência da população de que a responsabilidade é de todos que moram ali. O debate sobre os recursos hídricos precisa ser endereçado ao dia a dia das pessoas. Um exemplo de projeto de sucesso é o Conservador de Águas, do Comitê de Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, em que os proprietários rurais recebem pagamento por serviços ambientais das matas ciliares de sua propriedade.

Quais são os vilões que mais comprometem os recursos hídricos?

A principal ameaça vem da expansão urbana sobre os mananciais, incentivada por obras como a do Rodoanel, em São Paulo (SP), e por leis que, por causa da forma como foram elaboradas, viraram a causa da ocupação. As represas estão sendo usadas no seu limite de exploração. Outros vilões são a poluição, o aumento do consumo e do desperdício de água, além dos impactos das mudanças climáticas, que causam fenômenos inesperados e intensos, como as secas.

Como o leitor pode atuar nessa área, na prática?

Há infinitas formas de ajudar no dia a dia: reutilizar a água da máquina de lavar para a descarga nos banheiros, por exemplo. O banheiro é o local que mais consome água numa casa, então é preciso ficar atento aos vazamentos e manter a descarga regulada. Também é preciso praticar a coleta seletiva, pois a reciclagem é uma maneira eficiente de economizar água: produtos reciclados consomem menos água do que os produzidos a partir da matéria-prima virgem. Se o cidadão detectar um vazamento na rua ou na calçada, deve ligar para o 195 e denunciar, a ligação é gratuita.

OLHA AQUI: Ativistas do Greenpeace colocam uma faixa no Cristo Redentor (RJ), durante o Fórum Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, em setembro de 2002. Abaixo, voluntário da ONG observa uma pilha de troncos em Papua Nova Guiné, onde ficam as últimas florestas ancestrais da Ásia

Alarme do planeta dispara

ONG: GREENPEACE

Foi fundada em 1971 por canadenses, e desembarcou no Brasil em 1992, ano da Rio-92, mantendo a mesma filosofia de atuação mundial, de não aceitar recursos de governos, empresas ou partidos políticos, contando unicamente com a contribuição de milhões de colaboradores em todo o mundo. Hoje possui sede em São Paulo, Manaus e Brasília.

PROJETO: MUDE O CLIMA

Chuvas intensas, secas extremas e o primeiro ciclone tropical do Brasil, registrado em 2004, mostram as marcas que o ser humano vem conseguindo imprimir no clima do planeta. O efeito de nossas atividades já é comprovado pelos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPPC), que une 2,5 mil cientistas de todo o mundo e prevê cenários dramáticos, como a possibilidade de a Terra ficar até 6ºC mais quente até 2100.

Na frente de combate às mudanças climáticas, o Greenpeace consegue despertar no indivíduo o sentimento de participação nessa luta, informando e formando a sociedade em campanhas de peso.


ATIVISTA: SÉRGIO LEITÃO

A caminhada desse advogado cearense pelo movimento ambientalista no Brasil é antiga. Ele tem passagens pela direção do Instituto Socioambiental (ISA), pela coordenação da área de políticas públicas do Greenpeace e, mais recentemente, pela liderança do setor de campanhas da ONG. Hoje ele enfrenta brigas contra a energia nuclear com a mesma motivação com a qual acompanha as discussões no Congresso Nacional sobre o Plano Nacional de Mudanças do Clima. Sérgio acredita que as recentes descobertas do quanto a emissão de gases do efeito estufa aquecem a Terra irão favorecer as iniciativas em torno da preservação do meio ambiente.

Go Outside: Como funciona a campanha e qual seu diferencial?

Sérgio: O diferencial da campanha de clima do Greenpeace é a visão integrada da solução do problema, olhando, por exemplo, para a questão florestal, pois no Brasil 75% das emissões provêm da queima de floresta, o que nos faz contribuir com 20% do total global de gases. É impossível não falar da nossa contribuição, precisamos assumir que o mundo não resolve sem nós e nós não resolvemos sem o mundo. Criamos diversas ações para traduzir as informações para a sociedade, como uma cartilha e o vídeo Mudanças do Clima, Mudanças de Vida, no qual apresentamos dados científicos e entrevistas feitas pelo Brasil com dezenas de vítimas dos fenômenos climáticos extremos, e mostramos que o aquecimento já é uma realidade.

Os interessados podem agendar exibições públicas do documentário, basta entrar no site greenpeace.org.br. Para tornar o debate mais acessível à população, lançamos este ano a campanha Mude o Clima!, com participação de diferentes artistas e celebridades, e uma página na internet com dicas para as pessoas atuarem em casa, no trabalho, na escola. O site tem ferramentas interativas que permitem sentir os efeitos do aquecimento. O projeto vai gerar uma série de atividades nas ruas em datas especiais.

Qual o impacto e os resultados que a campanha vem obtendo?

O envolvimento da população tem crescido. Penso que conseguimos criar uma identidade com o público ao falarmos de problemas com que as pessoas se identificam, de questões que fazem parte do dia a dia. Não estamos criando uma demanda nova, mas sendo o veículo que possibilita às pessoas expressarem seus anseios. Pela primeira vez na história o ser humano criou uma situação na qual nossa própria espécie pode se extinguir. Já há problemas graves na Amazônia, na falta de água para agricultura, para abastecer os grandes centros. Essa informação tem de chegar ao cidadão. Não é uma discussão ambiental, mas de modelo de desenvolvimento.

Quais os principais problemas dessa área?

O último relatório do IPCC, de 2007, representou um rompimento ao mostrar cenários preocupantes, que pedem atitudes emergenciais. O momento atual é uma oportunidade de cada um fazer sua parte. O Brasil precisa dialogar com os países desenvolvidos, pois todos terão de fazer a lição de casa e promover uma combinação das várias iniciativas já em andamento. No plano interno, porém, a Política Nacional de Mudanças Climáticas existe somente no papel. Esta não pode ser uma política do Ministério do Meio Ambiente, precisa estar integrada a todos os ministérios e envolver os diferentes setores da sociedade. Trabalhamos para conscientizar e pressionar o país a assumir metas de redução de emissões. É uma questão ética e moral fazermos nossa parte.

Que outras iniciativas estão dando certo?

Temos sensibilizado a população para uma mudança de postura em relação às energias renováveis. O Greenpeace construiu uma agenda de planejamento estratégico para o setor elétrico, mostrando o quanto é mais econômico usar fontes renováveis. Hoje podemos gerar uma Itaipu de ventos no Nordeste se a opção for investir em energia eólica. Há ainda uma expedição do Greenpeace percorrendo várias cidades brasileiras para alertar a população da urgência do problema, a bordo do navio Arctic Sunrise.

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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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