RICHARD JENKINS DEVE SER O ÚNICO CARA do estado de Montana, no norte dos Estados Unidos, que está rezando por muito vento e pouca neve este mês. É que, além de muita coragem, o engenheiro britânico de 32 anos precisará de gelo liso e limpo na represa de Canyon Ferry, a maior de Montana, para conseguir bater o recorde de velocidade com um veículo de gelo movido a vento - no caso, sua mais nova criação de fibra de carbono, o Greenbird.
A maior velocidade já registrada para um "jato de gelo" desse tipo foi 134,4 quilômetros por hora. A versão para terra que Jenkins fez do Greenbird - com rodas no lugar das lâminas - chegou, extraoficialmente, a 192 quilômetros por hora. Mas veículos de gelo, com sua física complexa, não são tão rápidos quanto os veículos feitos para terra. "Se você colocar um veículo que na terra chega a 160 quilômetros por hora em cima de lâminas, ele ficará mais lento", diz Jenkins. "Isso não tem explicação lógica, porque teoricamente o atrito é muito menor no gelo." Uma possível justificativa é que a fina película de água (o gelo que se derrete na superfície) que possibilita o deslizamento "foge" quando as lâminas estão se deslocando muito rápido. Jenkins adicionou (em vez de eliminar) peso ao Greenbird, numa tentativa de contra-atacar esse fenômeno e assim tentar bater o recorde.
Mas isso só vai acontecer se Jenkins for abençoado com ventos de 32 a 48 quilômetros por hora. "Muitas vezes, simplesmente não há vento suficiente", diz Jenkins. "Mas esperaremos ao lado da represa e não sairemos de lá enquanto não ventar." Ao lado, uma geral nas características que fazem o Greenbird voar baixo.