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De marca Já pensou em andar em uma Ferrari ou em uma BMW de duas rodas? Se sim, pode ir vestindo a sapatilha: as principais multinacionais automotivas já produziram - ou ainda produzem - possantes máquinas movidas a pedal
(MARIO MELE)
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PEDIGREE: Ciclista pedala uma full suspension da BMW |
VOCÊ SABIA QUE A PRIMEIRA bicicleta moderna, de design semelhante às atuais — com duas rodas de mesma medida e propulsionada por pedais e corrente — foi criada em 1869, ou seja, 15 anos antes do primeiro automóvel movido a vapor e 16 antes do primeiro protótipo do carro à gasolina? Quem afirma isto é Arturo Alcorta, aficionado pesquisador da história das bicicletas, e que há mais de duas décadas pedala no trânsito motorizado de São Paulo. Então não seria de se estranhar que as principais fábricas automotivas — Peugeot, Opel, Lotus, Volkswagen, BMW, Porsche e até Ferrari — já tenham estampado suas logomarcas em magrelas. E dizem que as montadoras só alavancaram seus negócios com as bikes. “Mas acredito que essas bicicletas sejam destinadas apenas a colecionadores ou amantes de carro”, acredita Renato Machnievscz, do blog sobre ciclismo Pedaleiro (http://pedaleiro.com.br). “Um ciclista de verdade jamais compraria uma bicicleta dessas. É possível encontrar bons modelos de marcas tradicionais ou montar uma levando em conta as próprias características por um preço bem mais acessível”, afirma Renato. De qualquer maneira, conheça a seguir as bicicletas criadas por quem mais entende — supostamente — de quatro rodas.
SUBARU
A marca japonesa anunciou, em dezembro de 2008, sua saída do Campeonato Mundial de Rali (WRC). Depois de quase 20 anos colocando carros sob o comando dos melhores pilotos da modalidade, a montadora ícone do WRC culpou a economia mundial pela repentina decisão. A crise só não acovardou o lançamento de seu mais novo modelo: a Subaru XB, uma mountain bike hardtail, com quadro de aço-cromo azul vibrante e peças Shimano XT, grupo quase top de linha. Foi a primeira vez que a Subaru investiu no desenvolvimento e fabricação de uma bicicleta. A novíssima MTB faz parte de uma edição especial, com apenas 99 unidades que estão à venda somente no Japão por US$ 3.880 cada.
PEUGEOT
Em 1882 a hoje multinacional automotiva fabricava máquinas de moer café, mas preferiu mudar de ramo depois de a bicicleta começar a invadir as ruas das principais cidades da Europa. A primeira aposta da francesa foi o modelo Grand Bi, uma clássica boneshaker (roda da frente maior que a traseira). A estranha geometria é explicável: quanto maior é o diâmetro da roda, mais fácil é ganhar velocidade. Mas em compensação as boneshakers são muito instáveis e inseguras e, por isso, viraram história. Depois a Peugeot produziu triciclos, quadriciclos e bicicletas tandem, e também patrocinou ciclistas desde a primeira edição do Tour de France, em 1903 — a prova mais importante do ciclismo mundial foi vencida dez vezes pela equipe Peugeot entre 1905 (com Louis Trousselier) e 1977 (com Thévenet Bernard). E nem o Brasil escapou. Com o objetivo de conter as nacionais Caloi e Monark, a marca produziu bicicletas na cidade de Montes Claros (MG), na década de 1970. Mas os franceses sabiam pouco das truncadas relações comerciais brasileiras da época, e logo desistiram do projeto. “A Peugeot fabricou três modelos brasileiros: um de estrada com dez marchas e dois casuais”, recorda o aficionado Arturo. Atualmente a Peugeot mundial projeta mountain bikes full e hardtail e bicicletas infantis aro 20, mas nenhuma é exportada para o Brasil. Lá fora elas custam de € 200 a € 1.200 (a da foto). cyclist.peugeot.fr
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BMW
A montadora alemã BMW — da sigla que, ironicamente, significa Bayerische Motoren Werke (Fábrica de Motores da Baviera) — patenteou seu primeiro quadro de bicicleta em 1950, fabricado de um composto de metal levíssimo. Entretanto o golpe de mestre veio em 1999 com as mountain bikes full suspension QSeries, que emprestaram a tecnologia das motos BMW. Os ciclistas percebem a novidade ao frearem a roda da frente com vontade: a força gerada pela perda de velocidade é dividida entre as duas suspensões em vez de se concentrar apenas no amortecedor dianteiro. Em outras palavras, a BMW deixou as fulls mais seguras, já que a inovação diminui as chances de um ciclista sair voando por cima da bicicleta depois de uma frenagem abrupta. Mais do que um simples recurso tecnológico, o sistema salva quem pedala no trânsito, onde as bicicletas constantemente são fechadas por BMWs, Ferraris, Peugeots e Subarus à gasolina. Hoje dois modelos são comercializados no Brasil: Cruise R$ 5.855 e Enduro full suspension R$ 19.995. bmw.com.br
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FERRARI
Para comemorar seu 60º aniversário em 2007, a italiana Ferrari lançou um modelo de bicicleta de estrada, com todos os componentes de ponta. Além da tradicional pintura vermelha e do cavalinho gravado no levíssimo quadro de fibra de carbono, outro charme do modelo foi limitar a tiragem em apenas 60 peças. Quem assinou o projeto foi a também italiana Colnago, que há mais de 50 anos investe em tecnologia de bikes de competição. Ao consumidor, a poderosa Ferrari sem motor custou a bagatela de US$ 18 mil. E, depois que se esgotou, com certeza foi ainda mais valorizada em leilões virtuais. O site da empresa é ferraristore.com, mas sites como o ebay.com leiloam tais preciosidades.
OPEL
A alemã Opel, hoje subsidiária da General Motors (GM), é outra marca que fez história com as bicicletas. “Em 1925 nos tornamos o maior fabricante de bicicletas do mundo”, conta Ernst-Peter Berresheim, diretor do acervo histórico da Opel. Durante 51 anos de atividade, entre 1886 e 1937, a montadora alemã espalhou nada menos que 2,6 milhões de bicicletas pelas avenidas do mundo inteiro. E hoje as bicicletas Opel são peças de colecionadores ou de museus.
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LOTUS
Depois de trabalhar em segredo durante seis meses antes das Olimpíadas de Barcelona, em 1992, a britânica Lotus — que já brilhou nas mãos de Ayrton Senna e Emerson Fittipaldi, na F1 — apresentou ao mundo um verdadeiro foguete de duas rodas e pneus finos. Com um design dos Jetsons, a Lotus Sport foi projetada pelo inglês Mike Burrows, expert em composição e geometriade bicicletas. A ousada aerodinâmica permitiu furar o ar como uma flecha. O quadro, um composto de fibra de carbono e kevlar, pesava somente 2,55 quilos. Em cima subiria Chris Boardman, até então apenas tricampeão inglês de ciclismo amador. “Em Barcelona, Boardman perseguiu e ultrapassou o alemão Jens Lehmann, estabelecendo um novo recorde mundial na categoria 4 mil metros de perseguição individual, com 4min24s”, lembra John Lamb, relações públicas da Lotus. Dois anos depois Chris venceu o prólogo do Tour de France a bordo de sua Lotus, novamente com quebra de recorde — foi a primeira vez que a camiseta amarela pertenceu, por dois dias consecutivos, a um ciclista inglês. £ 2.195. lotuscars.co.uk |
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