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    A corrida do avião
Finalmente o corpo de Steve Fossett foi encontrado, mais de um ano depois de o milionário aventureiro desaparecer nos céus de Nevada com seu Monomotor Bellanca

HOMEM-PÁSSARO: Jato no qual o aventureiro Steve Fossett deu a volta ao mundo sem abastecimento, em 2005, depois de ter alcançado o mesmo feito num balão de ar quente

RESTOS MORTAIS E PEDAÇOS DA FUSELAGEM DO AVIÃO FORAM ACHADOS DOIS MORADORES, TOM CAGE E PLESTON MORROW, ENCONTRARAM O BREVÊ DE FOSSETT E UM CHUMAÇO DESGASTADO DE NOTAS DE 100 DÓLARES QUANDO FAZIAM TREKKING NA REGIÃO. COM ESSA PISTA, AS EQUIPES DE RESGATE VOLTARAM A SOBREVOAR A ÁREA ATÉ ACHAR OS DETROÇOS DO BELLANCA, A 3 MIL METROS DE ALTITUDE, NAS MONTANHAS DE SIERRA NEVADA, A OESTE DOS LAGOS MAMMOTH, NA CALIFÓRNIA. TERMINOU ASSIM O MAIOR E O MAIS CARO ESFORÇO DE RESGATE DA HISTÓRIA DOS ESTADOS UNIDOS. DOIS MESES ANTES DA DESCOBERTA, O CORRESPONDENTE DA OUTSIDE NORTE-AMERICANA JON BILLMAN ACOMPANHOU O QUE TALVEZ TENHA SIDO O ESFORÇO DE BUSCA MAIS AGRESSIVO – E CERTAMENTE O MAIS EXIGENTE FISICAMENTE – FEITO ATÉ HOJE. NELE, UM GRUPO DE CORREDORES DE AVENTURA CANADENSES FOI A CAMPO PARA TESTAR UM NOVO CONCEITO DE RESGATE EM ALTA VELOCIDADE E BAIXA FREQÜÊNCIA CARDÍACA. A HISTÓRIA DESSE GRUPO É UM OLHAR EXCLUSIVO SOBRE O MISTÉRIO DA AVIAÇÃO QUE OBCECOU A NAÇÃO NORTE-AMERICANA E SOBRE O ACIDENTADO TERRENO EM QUE A CARREIRA DE AVIADOR DE FOSSETT CAIU POR TERRA.

OS MEMBROS DA EQUIPE Adventure Science (Ciência de Aventura) tocam uma guitarra imaginária e cantam Run to the Hills (Corra para as Montanhas), do Iron Maiden, enquanto formam um batalhão, mantendo-se a uma distância audível entre si, enquanto se embrenham pelos arbustos de Sierra Nevada. Meia dúzia dos melhores corredores de aventura da América do Norte, equipados com freqüencímetros e besuntados de BodyGlide (um creme lubrificante para evitar bolhas e irritações de pele), sincronizam seus relógios com bússola e partem em alta velocidade correndo pelas cristas, descendo cânions e andando sobre as rochas. O tempo todo eles se posicionam perto o suficiente para manter a probabilidade de detecção em pelo menos 70%.
Eles cobrem o solo como gafanhotos. “Simon, tem alguma coisa brilhante duas horas à sua esquerda, uns 100 metros acima”, diz Paul Trebilcock, o Turbocock, de 42 anos. Simon Donato, 32, vestindo um colete multicolorido e cheio de bolsos e uma bermuda de surfista camuflada, é o líder da equipe e fundador da Associação Canadense de Corridas de Aventura. Ele acelera até chegar ao que descobre ser um poste de PVC de marcação de mina. Não era bem o que ele esperava.
O que estamos procurando, contou-nos Donato no campo-base, na noite quente de julho em que chegamos, tem provavelmente o tamanho de dois carrinhos de supermercado retorcidos: um monte de estruturas de aço, talvez um bloco de motor e, possivelmente, alguns restos mortais humanos. Donato permitiu que eu e meu grupo nos juntássemos à sua equipe de seis atletas de elite — junto com um produtor de documentários, dois coordenadores de campo-base e um paramédico —, que ele convocou para uma exaustiva semana de caminhadas, buscas e corridas extremas pela área que circunda a cidade de Bridgeport, na Califórnia, próximo à divisa com o estado de Nevada. Eles vão revirar essas montanhas a 60% do esforço máximo durante 11 horas por dia, forçando seus corpos e sua sorte em uma caçada a uma pista (qualquer pista) de um dos maiores mistérios da aviação norte-americana: a localização do aventureiro perdido Steve Fossett, visto pela última vez sobre Nevada em 3 de setembro de 2007.
Numa visão geral, é uma caçada de carniceiro, tão cansativa quanto qualquer corrida de aventura — ou, de acordo com esses caras, até mais exaustiva. “Quando você está correndo, não está procurando nada”, diz Jim Mandelli, 47, um veterano do Eco Challenge que veste short e polainas curtas, enquanto nos apressamos através da floresta. “Não estamos simplesmente brincando e treinando nas montanhas. Estamos buscando.”
A equipe Adventure Science, localizável por meio do GPS Spot (equipamento que transmite seu posicionamento em tempo real, por satélite, a um centro de controle), está percorrendo a trilha mais difícil da área de 52 mil quilômetros quadrados delineada como provável região da queda de Fossett. Cerca de 20% dessa área de busca, estima Donato, é habitat ideal para um corredor de aventura: terreno técnico e complicado no qual os destroços poderiam estar invisíveis sob a copa das árvores ou algum esconderijo geológico. Ele vem concentrando sua atenção numa área circular de 100 quilômetros de raio, aproximadamente 210 quilômetros ao sul da cidade de Reno. Pelos seus cálculos, as chances de eles encontrarem o milionário e seu avião são de menos de 1%. Mas, para esses atletas otimistas, os destroços se tornaram um grande “geocache” — espécie de pote de ouro das caças ao tesouro tecnológicas, em que os participantes usam GPS para procurar recipientes escondidos em qualquer lugar do mundo, até na Antártica. É uma espécie de pôquer físico no qual o prêmio é Steve Fossett.

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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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