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    O céu (não) é o limite
O bilionário norte-americano Richard Branson, dono do Grupo Virgin, já picado pelo bichinho das boas ações em prol do planeta, agora pretende mandar turistas para seu futuro hotel no espaço

(HAMPTON SIDES) FOTOS JEFF LIPSKY

ESPAÇO SIDERAL: O bilionário dono do Grupo Virgin, Richard Branson, que está investindo num hotel no espaço

SIR RICHARD BRANSON ESTÁ DE RESSACA. É uma abafada manhã de domingo em Baltimore (no estado de Maryland, EUA) e Richard entra cambaleando para tomar café-da-manhã comigo no Tony Explorers Lounge do hotel InterContinental Harbor Court. Ele diz que encheu a cara ontem à noite, depois do show do The Police no Virgin Festival, e agora está um pouco estragado. Como tônico matinal, ele pede chá e belisca um pedaço de torrada seca.

“Passei as últimas semanas na minha ilha no Caribe, limpo, sem bebida”, diz. “Sabe como é: nadando, fazendo kitesurf e mantendo a forma. Mas de repente vem uma recaída ocasional...” Ele faz uma ligeira careta de auto-reprovação e continua: “Eu devo ter passado um pouco dos limites ontem à noite”.

Richard veste calça jeans e uma camiseta preta básica, com seus longos cabelos vermelho-grisalhos, ainda úmidos do banho. Seus olhos estão injetados e seu famoso sorriso ainda não está ativo. Neste exato momento ele não se parece muito com o presidente do Grupo Virgin, um império internacional que consiste em mais de 200 empresas e emprega aproximadamente 55 mil pessoas espalhadas pelo planeta azul. Mesmo assim, devemos dar um crédito: o cara está muito bem conservado para um profissional de 57 anos que assume tantos riscos e que já caiu de balão, sobreviveu a naufrágios, escapou de aeronaves condenadas, navegou num Atlântico tempestuoso em alta velocidade, participou, durante décadas, de festas com estrelas do rock e desafiou tantos perigos que só o famoso dublê norte-americano Evel Knievel poderia superá-lo.

Richard conta que seu filho Sam, um modelo eventual de 22 anos que aparentemente é o herdeiro da Virgin, não se juntará a nós no café-da-manhã como estava planejado. Parece que o jovem Branson caiu na mesma esbórnia do pai e está fora do ar até o fim do dia. “Ele é um cara legal”, diz o pai. “Você vai gostar dele — se é que ele vai acordar um dia.”

E então Richard lança um olhar vago pela janela, na direção do píer de Baltimore cheio de barcos, e tenta fazer seu cérebro pegar no tranco. Conversamos um pouco a respeito do seu interesse por aviação comercial suborbital (de Nova York, nos EUA, à Austrália em menos de uma hora!) e sobre a privatização do cosmos (hotéis Virgin no espaço!). Conversamos sobre alguns dos seus amigos — Nelson Mandela, Stephen Hawking, Peter Gabriel — e sobre a expedição em trenós puxados por cães que ele e Sam fizeram na primavera, na ilha de Baffin, Canadá. Falamos sobre a extraordinária vida de Branson e sobre sua extraordinária semana (a Virgin America havia feito seu vôo inaugural de Nova York a San Francisco, EUA). Mas é muito cedo. A mágica bransoniana ainda não funciona. A neblina se recusa a dissipar.

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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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