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  RETINA ESPECIAL
  Olho de peixe

(CAMILA JUNQUEIRA)

Mesmo sem saber nadar, o italiano Carlo Borlenghi, 52 anos, se tornou o mais importante e reconhecido fotógrafo de vela do mundo. Depois de apontar suas lentes por muitos anos para regatas como a Volvo Ocean Race e a America's Cup, Carlo fotografou pela primeira vez a Rolex Ilhabela Sailing Week, que aconteceu de 5 a 14 de julho na ilha paulista. Conversamos com o fotógrafo e mostramos, a seguir, algumas imagens que explicitam sua maestria

A SECO: O barco argentino Fortuna III com o vento em popa, clicado por Carlo com a câmera subaquática que ele próprio desenvolveu

Como você se tornou o principal fotógrafo de vela do mundo?
Aos 19 anos, eu estudava engenharia e a fotografia era um hobby. Aos 20, fui contratado pela Vogue Uomo Mare e acabei me especializando em esportes náuticos. Depois de duas décadas trabalhando para a Vogue e sendo o fotógrafo oficial das mais respeitadas regatas do mundo (Italian Challenge, America's Cup, Volvo Ocean Race), fundei minha própria empresa, a Sea & See Italy. Tive sorte de estar no lugar certo na hora certa, e de saber aproveitar as oportunidades que apareceram.

Não saber nadar não te deixa inseguro no mar?
Em algumas poucas ocasiões, fiquei com muito medo. Porém, o medo nos ajuda a não fazer bobagens. Seria uma dificuldade ficar no barco morrendo de medo de que algo me derrubasse na água, isso não acontece - confio nas pessoas que estão comigo. Um amigo meu, inconformado com o fato de eu viver em contato com o mar e não nadar, me deu de presente de Natal um curso de natação. Fiz e fiquei um pouco mais confiante. Mas um belo dia eu estava em Salvador, caí do barco e fiquei em pânico. Voltei à estaca zero. Por um lado, não saber nadar me ajudou: tive que desenvolver novas maneiras de fotografar esportes náuticos.

Como se renovar depois de 30 anos clicando o mesmo assunto?
A cada ano tento buscar novos ângulos e técnicas. No ano passado, a novidade foi a câmera subaquática, que me permite tirar fotos como se estivesse dentro d'água, só que clicando do barco. Geralmente, passo o inverno na minha casa em Bellano - uma cidade pequena no norte da Itália, perto do lago Como - pensando em coisas novas para usar na fotografia e brincando com recortes e enquadramentos.

Quantos dias por ano você passa viajando?
No último ano, passei 250 dias seguindo as regatas. Nos anos anteriores não foi muito diferente. Lido bem com isso, gosto desta vida. Não tenho filhos e minha mulher me acompanha em algumas das viagens.

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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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