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| CANDIDATO A REI: Com seu jeitão de surfista clássico e despretensioso, Greg Long tem tudo para ser o novo Laird Hamilton das ondas gigantes |
GREG LONG PAROU MAIS UMA VEZ, esperando que eu o alcançasse. Estamos no final de fevereiro, e o surfista de corpo enxuto e cabelo despenteado está correndo parado na praia de Trestles, o mundialmente famoso break onde ele cresceu, uma hora ao sul de Los Angeles (EUA). Ele está usando uma roupa de neoprene com capuz, carregando máscara de mergulho e se divertindo com a desgraça alheia enquanto me espera para continuarmos a correr. Eu estou acabado, e comecei a seguir sua rotina diária há menos de uma hora. Até agora, já corremos 7 quilômetros na areia fofa e voltamos nadando seguindo a costa, enquanto as ondas quebravam na nossa cara. Seu objetivo, ele me contou, é simular a violência da porrada de uma onda grande. Quando finalmente consigo alcançá-lo, ele está rindo.
"Você tá bem?", pergunta.
Eu aceno que sim com a cabeça.
"Quer que eu fique com você?"
"Não", respondo entre tossidas. "Vai nessa."
Greg está em uma incansável e interminável busca para encontrar e surfar as maiores ondas do planeta. E, aos 25 anos de idade, ele é extremamente bom nisso. Em janeiro, em Cortes Bank, um break em mar aberto a 170 quilômetros de San Diego, ele e sua equipe de tow-in pegaram o que provavelmente eram as mais altas ondas já surfadas ali: no mínimo 25 metros. Uma semana depois, logo ao sul de San Francisco, Greg ganhou o icônico campeonato Maverick's Surf Contest encarando tubos de 6 metros. Ele já teve sua prancha arrancada de seus pés pela mordida de um tubarão-tigre de 3 metros em Oahu e ficou submerso vários minutos ao ser esmagado por sucessivas ondas. E, depois que os swells de inverno se acalmam no Pacífico, ele muda de hemisfério. Em julho de 2006, em Dungeons, na África do Sul, Greg surfou uma montanha de 20 metros com a qual ganhou o prêmio de maior onda do Billabong XXL, em 2007, embolsando US$ 15 mil, que ele repartiu com o piloto do seu jet-ski.
É um belo contracheque, a menos que ele compare com os milhões que os melhores surfistas do circuito mundial, como Kelly Slater e os irmãos Irons, ganham. Os surfistas de ondas grandes costumam faturar menos, sacrificando dinheiro pelo estilo de vida. Há, é claro, uma exceção: Laird Hamilton, 44 anos. Entretanto, o recente domínio de Greg tem sido tão completo que até parece possível ele encostar em Laird.
Mas enquanto Hamilton ficou rico e famoso ignorando competições e se concentrando em ser fotografado surfando ondas monstruosas, Greg segue sem patrocínios. "Eles estão em planetas diferentes", explica Evan Slater, o editor da revista Surfing. "Laird é um super-herói. Greg é um surfista clássico - despretensioso e agradável de se estar perto. Mas pode vir a ser o rei incontestável das grandes ondas."
Antes disso, Greg precisa arranjar emprego. De 2001 a 2006, ele ganhou um modesto salário anual de cinco dígitos sendo um dos surfistas da equipe Ocean Pacific. Mas quando a OP foi vendida em novembro de 2006, os novos chefes jogaram seu programa de patrocínio no lixo - e Greg, na rua. Por isso, ele continua vivendo com seus pais. O pai, Steve, é salva-vidas na praia de San Onofre - onde fica Trestles -, um trabalho que vem com cobiçadas acomodações para funcionários. Foi ali que Greg e seu irmão Rusty, que também é um conhecido surfista de grandes ondas, foram criados.
Desde que foi despedido da OP, Greg precisou financiar suas missões atrás de grandes ondas com suas economias e os prêmios das competições. Ele até faz escambo para adquirir suas próprias pranchas, incluindo a Chris Christenson de 9'6" que usou no campeonato em Maverick's. Apesar disso, antes da última bateria, os seis finalistas concordaram em dividir o dinheiro do prêmio igualmente. "No que me toca, aqueles US$ 30 mil eram o diabo no meio da gente", conta.
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