UMA ODISSÉIA DE 32 MIL QUILÔMETROS ao redor do mundo deveria ser suficiente para curar qualquer crise de meia-idade. E isso nos faz indagar o que se passa na cabeça de Ewan McGregor. Três anos após circundar o globo terrestre numa aventura que depois foi transformada no livro, no documentário e na série de TV Long Way Round, o ator escocês sentiu a coceira de cair na estrada de novo. Dessa vez, ele e o amigo Charley Boorman saíram de moto da cidadezinha de John O'Groats, na Escócia, em maio de 2007 e rodaram 24 mil quilômetros durante três meses até a Cidade do Cabo, na África do Sul. Assim como a primeira expedição, essa viagem foi transformada em uma série de TV de dez capítulos, que em breve será lançada em DVD. Depois, virá o livro. O programa de TV, batizado de Long Way Down (Em Duas Rodas com Ewan McGregor, na versão em português), estreou no canal National Geographic em julho. Conversamos com Ewan McGregor, 37, sobre o que aconteceu fora das telas.
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| PÉ NA ESTRADA: O motociclista e protagonista do programa de televisão Long Way Round, Ewan McGregor, numa paradinha estratégica para o clique, em frente ao Coliseu de Roma |
Go Outside: Fazer uma viagem de moto como essa é raro. Duas torna-se um padrão. Tudo bem para você ser visto como um aventureiro?
Sim. Tenho orgulho do que fizemos. Conhecemos pessoas na África que estavam viajando porque haviam assistido ao Long Way Round. Muito do que passa na TV é sobre nada, mas nós pegamos nossas motos e registramos uma experiência incrível. Espero que o programa encoraje as pessoas a fazer coisas parecidas.
Em algum momento você desejou que as câmeras não estivessem ali, fi lmando vocês o tempo todo?
Havia somente uma câmera conosco o tempo todo, e o cara que a operava estava viajando de moto com a gente. Não foi tão intrusivo quanto pode parecer. Mas houve trechos da viagem em que desejei poder fi car mais tempo em certos lugares. Encontramos motociclistas que estavam viajando há muitos anos.
Qual o choque cultural entre a Sicília, na Itália, e os países da África, por exemplo?
As pessoas são bondosas quando você está numa moto. Eles acham bacana que você se molhe quando está chovendo.
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| Ewan (atrás) e seu companheiro de estrada Charley Boorman |
E como foi a tempestade de areia na Líbia?
Foi bem estimulante, de verdade. Tínhamos que bloquear as aberturas de ventilação do capacete ou a areia entrava e machucava os olhos. A moto à nossa frente era tudo o que víamos. Naquele dia, percorremos 800 quilômetros. Foi como andar através de açúcar mascavo.
Como fi ca a higiene numa viagem como essa?
Você tem que baixar seus padrões, mas dá para se virar. Muitas vezes cruzávamos um rio, mas não pulávamos nele de cara porque poderia haver crocodilos. Também usávamos lenços umedecidos, que são uma maneira bem prática de se manter limpo.
Que dicas você dá para quem quer viajar pela África?
O segredo é levar o mínimo possível. Pra mim, que tinha dois carros me seguindo com equipamento de fi lmagem, é fácil dizer isso. Mas é importante que a moto esteja leve. Além disso, numa emergência, você precisa saber trocar um pneu. Leve uma câmera que possa ser usada tanto no pneu da frente como no de trás. E espátulas, para a troca.
Se a moto quebrar, quem vai na garupa?
Quem estiver com a moto quebrada. Há uma regra não escrita, mas sempre observada, que diz que cada um dirige a própria moto.