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SEGUINDO A PRÓPRIA SOMBRA: Fabrizio, nosso autor-cobaia, deixa o sol do deserto de Gobi para trás |
DEPOIS DE TERMINAR OS PRIMEIROS 38 QUILÔMETROS de corrida no deserto, eu tentava dormir, mas não conseguia. Talvez devido ao coração ainda acima dos 80 batimentos por minuto, ou pela preocupação com os 210 quilômetros seguintes. Mesmo assim, eu estava entorpecido o suficiente para ficar sem ação quando meu companheiro de barraca, o dinamarquês Mikkel Larsen, soltou um grito aterrorizante, cerrou os punhos, cruzou os braços sobre o peito e ficou enrijecido em posição fetal. Seus olhos começaram a virar — só se via o branco do globo ocular — e aparentemente ele não conseguia respirar. A equipe médica, que estava ali perto, tirando amostras de sangue para um estudo, praticamente se atirou sobre ele, tentando controlar os movimentos bruscos provocados pelas convulsões. Mikkel é grande e forte — tinha acabado de terminar a etapa em quinto lugar — e foram necessárias cinco pessoas para segurá-lo. Senti um certo pânico nos médicos, que não entravam em acordo sobre o que estava acontecendo. Mikkel continuava sem conseguir respirar, espumava pela boca e não respondia aos estímulos. Perguntaram-me como ele estava após a corrida, pois eu chegara à barraca logo depois dele. Na verdade, pouco nos falamos de tão exaustos. Comemos algo, apesar da sensação de náusea, e nos deitamos para descansar.
Finalmente decidiram injetar a conhecida IV, uma solução salina intravenosa para casos severos de desidratação. Mesmo assim, tudo o que conseguiram foi fazer ele voltar a respirar e cessar as convulsões. Nesse momento, os poucos atletas que já tinham chegado estavam em volta do local, tão assustados quanto eu.
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PORTA DO CÉU: Competidores se aproximam de um dos pontos mais marcantes do percurso, o Heaven´s Gate. |
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