Publicidade
 
GoOutside
 
  ok
 
 
Imprimir
   
  Pé no Chão
  Me engana que eu gosto
Quer emagrecer e ficar sarado sem mexer um músculo? Ligue a TV e desligue seu bom senso

Piti Vieira

TARDE DA NOITE, você não tem nada pra fazer a não ser zapear pelos canais da TV. De repente, você depara com mais um daqueles infomerciais que duram meia hora anunciando um aparelho de ginástica que te deixará em forma em poucos dias - detalhe: você nunca se exercita e comeu uma bacia de pipoca minutos atrás, depois de já ter jantado. Cheio de promessas que desafiam o bom senso, o apresentador conversa com a câmera como se estivesse num programa de auditório. Às vezes aparece até um "especialista" para atestar a eficácia daquele aparelho milagroso, capaz de criar abdômen tanquinho, bunda empinada, coxas firmes e braços fortes em pouco tempo e sem esforço. "Não é feitiçaria, é tecnologia", dizia a "feiticeira" Joana Prado, pra vender seu Elise Belt, lembra? A loura com véu aparecia toda cheia de eletrodos que faziam pulsar suas coxas - e que coxas! - em três velocidades.

Garotos-propaganda vão mudando, mas a tecnologia cara-de-pau continua "enfeitiçando" consumidores cujo esforço maior é apertar o controle remoto da TV. E a culpa é dos soviéticos. Pelo menos foram eles que inventaram esses equipamentos de eletro-estimulação. Na época, a causa era nobre: foi a solução encontrada para que os astronautas que ficavam muito tempo no espaço não perdessem tanta massa muscular. Então, alguém muito esperto teve a idéia de ganhar dinheiro oferecendo a mesma tecnologia para quem quisesse ficar com o corpo definido sem levantar um pesinho sequer.

Claro que deu certo (ou seja, claro que o espertalhão ganhou dinheiro). Já quem acreditou no que dizia a Feiticeira não teve a mesma sorte. No lugar do bem-estar da endorfina, ganhou choques que, segundo relatos de usuários, machucam e incomodam. O resultado? Quase nulo. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) concluiu que eles dão apenas um pequeno estímulo muscular e não fazem gastar nenhuma caloria - ouviram? Ne-nhu-ma!

Ainda zapeando no conforto do sofá, aparece o Giovanni, aquele bonitão do vôlei, vendendo um aparelho de ginástica igualzinho ao que o Tony Little vendia nos anos 90. Idênticos, o Iron Fitness brasileiro ou o Gazelle Freestyle norte-americano, do Tony, prometem um corpo modelado, queima de calorias e aumento da resistência física com apenas 15 minutos diários, "para quem tem preguiça de fazer academia". Tem que ser muito tonto pra acreditar nisso.

E que tal vestir uma bermuda que trabalha seus músculos enquanto, digamos, você lê uma revista? Pois essa é uma das mais novas ofertas na TV e na internet. Trata-se do AB Toner Shorts. A Ana Paula (de novo, o vôlei) é musa de uma das marcas dessa bermuda, bem feia por sinal, que nada mais é que um Elise Belt em forma de roupa. Criatividade é a alma do negócio.

Talvez a culpa dessas enganações seja mesmo do pequeno Tony, tamanha era sua euforia ao descrever todas as vantagens dos equipamentos leves, práticos e multifuncionais, com seu indefectível rabinho de cavalo e voz estridente - não dá pra saber o que é pior, o rabo de cavalo do sujeito ou a voz com que o dublaram em português. Em 1995, ele invadiu os canais de vendas contando como o AB Isolator (aparelho para fazer abdominais que antecedeu o Gazelle) o fez voltar à boa forma depois de dois sérios acidentes de carro que o deixaram gordão. Tudo comprovado com fotos, claro. Segundo o site de Little, o AB Isolator vendeu mais de 7 milhões de unidades só naquele ano, numa luta maciça (e preguiçosa) contra a pança.

De lá pra cá, a quantidade de modelos e marcas dessas pragas milagrosas só aumentou, assim como as reclamações que chegam ao Procon. Se o Tony Little pode prometer uma barriga tanquinho com apenas 15 minutos de abdominais por dia, não vai demorar o dia em que alguém vai prometer um corpo de atleta sem nem um abdominal sequer. A nós, telespectadores e internautas, resta o bom senso de ver que todos essas promessas não passam de produtos de marketing absurdos, mas hilários. Taí: quem sabe eles não melhorem nossa pança de tanto nos fazer rir?

ANDREW BRUSSO/CORBIS
AH, TÁ: Você não acha que vai ficar igual ao Jay Cutler com o Elise Belt, acha?

   
  Imprimir
   
 
Edição nº 54 - Novembro/09
 
Sumário atual Anteriores Estilo Radar Destino Especial Reportagens Notícias
 
Newsletter
  Cadastre-se e receba nossas novidades.
 
 
Ok
 
 
   
 
Contato
Contato Assine Publicidade Expediente Indique o site
 
 
Rocky Mountain Editora
Copyright © 2008 - Editora Rocky Mountain Ltda. - Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.
powered by ContentStuff