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| CENTRO DAS ATENÇÕES: Crianças israelenses cercam Kelly Slater e Makua Rothman na praia de Herzliya, em Tel Aviv; ao lado, Kelly Slater em Cocoa Beach, na Flórida, novembro de 2007 |
“VOCÊ É NEGRO!”, exclamou Dorian “Doc” Paskowitz. Pequeno e bronzeado, com cabelos grisalhos embaraçados, o médico de 86 anos de San Diego estava descalço em um apartamento de Tel Aviv, vestido com uma bermuda cáqui e uma camiseta branca com o símbolo da Surfing for Peace, a nova iniciativa de Doc para unir juventude israelense e palestina sob a bandeira da fraternidade dos surfistas cascas-grossas.
Estávamos no lar do surfista israelense de 28 anos, Arthur Rashkovan, a poucas quadras do break na praia de Hilton, na costa do Mediterrâneo. Doc tinha acabado de acordar de uma soneca; quando ele saiu do quarto, eu já tinha passado horas com o lacônico Arthur, que trabalha como distribuidor de bebidas e editor de uma revista de surf, e dois dos filhos adultos de Doc — David, de 48, e Joshua, de 32, ambos tão esguios quanto o pai é baixinho. Joshua, que trabalha como cineasta, ostentava um mullet, um chapéu de feltro tipo Blues Brothers e tatuagens do pescoço até os pés. David, que é músico, tinha uma aparência mais tradicional, com óculos e mechas grisalhas.
“É o Jimmie Briggs!”, gritou Arthur. Doc deu um sorriso e abriu os braços para me dar um abraço. Doc não é nada tímido; já vínhamos conversando há meses pelo telefone, mas tanto Israel como a comunidade surfista são povoados basicamente por caras brancos. Ele pareceu muito feliz em ver um negão de 1,92 metro e tranças rastafári saído do Bronx.

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