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    Mostre-me o seu povo da montanha, pobre, cansado, vigoroso, amigo, resistente, aclimatado por natureza...
Os arranha-céus de Manhattan talvez não sejam tão altos quanto o Everest, mas é onde o sherpa Tsering Norbu, um membro do mais famoso clã do montanhismo, está fazendo uma nova vida. Christian DeBenedetti passeou no banco da frente com um dos mais insólitos taxistas de Nova York

fotos JEFF MERMELSTEINS

LONGE DE CASA: Tsering Norbu Sherpa taxiando na Times Square
NUM DIA CLARO DE PRIMAVERA em Nova York (EUA), Tsering Norbu Sherpa - ex-guia do Himalaia, pai, fã de música pop, enófilo e taxista independente número 2B35 - dirigia desembestado pelas ruas do SoHo.

Com o braço esquerdo pendurado para fora, Tsering desviava de pedestres, apontava um sósia de Dustin Hoffman, cobiçava um Segway ("Uau, legal"), admirava as bandeirolas de oração tibetanas ("Nós as chamamos de cavalos do vento, sabe?"), e sem pensar listava bares com os quais contava para obter passageiros na madrugada ("Pangaea, Lotus, Bungalow 8..."). Passando pela multidão que almoçava no restaurante Felix, na West Broadway ("Parece uma colméia!"), catalogava seu gosto por rock (Nazareth, Bad Company), country (Hank Williams Jr.) e vinhos (cabernet chileno, pinot do Oregon).

Tsering estava falante. "Estes são tipos diferentes de montanha", brincava enquanto nos dirigíamos para Uptown (zona nobre ao norte da ilha de Manhattan, onde está o Central Park). "Edifícios são bons, mas não dá para escalar!"

"Para mim, escalar montanhas e dirigir um táxi são coisas bem parecidas", continuou. "Ambos têm riscos. Se a gente respeita as montanhas, tem menos acidentes. No táxi, a gente deve respeitar o fluxo. De outro modo, será atingido por algum motorista bêbado de Nova Jersey."

Tsering se mudou para Nova York em 1998 vindo de Darjeeling, Índia, com sua esposa Nima. Uma década depois, parece estar em casa, fazendo um tipo urbano nova-iorquino - calça camuflada, blusa Gap, camiseta da vodca Skyy. Como a maioria dos sherpas, Tsering é budista devoto e, por trás do volante, exibe a jovial presença de espírito de um homem em paz. Ele dirige como um veterano, quer dizer, em alta velocidade. Mas negligencia as táticas da Nascar, usa a seta e lida com seu carro - um Ford Crown Victoria 2003 próprio - como se fosse um Lexus zero. Fala com os passageiros em quatro línguas (urdu, nepalês, hindi e inglês), recebe numa boa gorjetas ruins e infalivelmente deixa seus passageiros do lado certo da rua.

Leia mais sobre esta matéria na edição de Abril da revista Go Outside.

   
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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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