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  ESCALADA E MONTANHISMO
  NO TOPO
O ANO COMEÇOU QUENTE PARA A ESCALADA ESPORTIVA E O MONTANHISMO BRASILEIROS. E TEM MUITO MAIS POR VIR

(MARIO MELE E MARILIN NOVAK)

Em 2005, na primeira ida da dupla ao Everest, somente Vitor chegou ao cume, utilizando oxigênio engarrafado. Em 2006, Vitor e Rodrigo subiram até o acampamento 3 do Everest pela face norte, considerada a mais difícil. Por diferenças de aclimatação - fato comum quando se está acima dos oito mil metros de altitude - eles não realizaram juntos o ataque final ao cume. Apenas Vitor subiu, alcançando o topo sem oxigênio suplementar. Infelizmente, o desgaste foi grande e Vitor teve que ser socorrido por um sherpa na descida, morrendo horas depois de chegar ao acampamento 3.

Em outubro de 2007, Rodrigo chegou a subir algumas montanhas no Nepal. "É complicado voltar pro Everest, mas fiz um preparo físico e psicológico para conseguir estar em paz comigo e com a montanha", conta. A partir de novembro, ele intensificou os treinamentos, praticando musculação para fortalecer a região lombar e natação para melhorar a respiração e ganhar resistência.

FOTO MURILO VARGAS
ENERGIA DE SOBRA: Em janeiro, Felipe Camargo, 16, foi até o final de uma das vias mais difíceis do Brasil

Desta vez, a subida será pela face sul. O principal desafio continua sendo não recorrer ao oxigênio extra, mas há outros lances a serem superados, como a cascata de gelo do Khumbu, onde as gretas em constante movimento deixam o lugar parecido com um labirinto. Segundo Rodrigo, outro ponto que merece atenção é a face de Lhotse, uma passagem obrigatória para quem escala o Everest pelo flanco sul. O caminho pelo paredão glacial oferece iminente perigo de avalanches. Para minimizar os riscos em ambos os trechos, o montanhista precisa fazer uma análise minuciosa das condições do clima. Rodrigo subirá com o montanhista e médico Eduardo Kappke, que não abrirá mão do oxigênio suplementar enquanto acompanha Rodrigo.

A aventura poderá ser acompanhada pelo site rodrigoraineri.com.br, atualizado diretamente da montanha por meio de internet via satélite.

Rumo ao Olimpo
No finalzinho de 2007 (10 de dezembro) a comunidade da escalada esportiva internacional recebeu uma notícia pra lá de animadora: o Comitê Olímpico Internacional (COI) reconheceu a modalidade como olímpica e a Federação Internacional de Escalada Esportiva (IFSC) como a federação oficial desse esporte no mundo (como a Fifa para o futebol).

Na prática, ser reconhecida pelo COI coloca a escalada na linha de frente da disputa por uma vaga no seleto grupo de esportes que compõem os Jogos Olímpicos, que têm um número de modalidades limitado para não ficar "inchado" e de difícil realização. Ou seja, só entra um novo esporte quando outro sai. "Existem várias modalidades na fila, solicitando inclusão", explica Silvério Nery, da Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo, a Femesp. "Ganha a modalidade que tem mais países federados e atletas em mundiais", ele explica. Ou seja, é o início de um longo processo para a escalada. "Sendo otimista e realista, podemos pensar nos Jogos de 2020", supõe Silvério.

A inclusão da escalada na disputa rolou principalmente por causa da boa atuação da IFSC, órgão criado no começo de 2007, e que promete tratar a modalidade como um esporte sério, estimulando, por exemplo, o trabalho de base. "Finalmente a escalada passou a ser gerenciada exclusivamente por líderes e esportistas. Ela é uma autêntica federação e por isso foi reconhecida pelo COI mais rapidamente que qualquer outro esporte", conta Silvério.

E mesmo que demore mais de uma década até vermos escaladores subindo paredes olímpicas, fazer parte do chamado Movimento Olímpico - composto pelo COI, pelos comitês organizadores dos Jogos, pelos comitês nacionais (como o COB) e pelas federações e confederações reconhecidas - já traz benefícios à modalidade. "Este estágio agrega grande potencial de crescimento ao esporte", explica Silvério. Com a inevitável exposição da modalidade na mídia, fica mais fácil chamar a atenção dos patrocinadores e estimular a entrada de novos atletas.


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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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