

Maya Gabeira
Modalidade: surf de ondas grandes
Idade: 20
Berço: Rio de Janeiro (RJ)
Por que é uma Outsider: surfou todos os grandes swells de 2007. É hoje, reconhecidamente, a mulher mais casca-grossa do mundo em big waves
COM APENAS 20 ANOS, Maya tem no currículo mares de arrepiar a espinha de muito big rider, e certamente de fazer outros tantos surfistas de ondas menores arrumarem uma desculpa para não caírem na água. Maya é exatamente o oposto - só gosta de dropar onda grande. No ano passado, ela desceu os maiores swells da temporada: esteve em Mavericks e em Ghost Trees, na Califórnia; em Dungeons, praia famosa pela imensa quantidade de tubarões, na África do Sul; em Teahupoo, no Taiti; e em Todos os Santos, no México. Entre um pico desses e outro, Maya podia ser vista dropando as ondas de Waimea, no Havaí, seu quintal de casa. Na maioria das vezes, ela era a única mulher no mar.
Mesmo tomando vacas homéricas, como a que foi filmada em Teahupoo, Maya não desanimava e remava de volta para o outside. Diz só ter sentido medo em Ghost Trees, no dia que se tornou a primeira mulher a fazer tow-in naquele pico - assustada com a força do swell, ela pegou apenas uma onda e saiu do mar. "Era uma situação muito extrema e achei que não era hora de me arriscar daquela maneira. Ainda preciso evoluir no tow-in e ganhar mais confiança", revela, de forma consciente. Pelo mesmo motivo, Maya ainda não encarou Jaws, em Maui, mas já coloca esta, que é uma das maiores ondas surfáveis do planeta, como seu próximo objetivo. "A partir do mês que vem, terei um jet-ski para treinar e quem sabe na temporada que vem eu esteja preparada para surfá-la", planeja.
O despertar para as ondas grandes aconteceu em Waimea em 2004, quando Maya foi ao Havaí pela primeira vez e viu a californiana Jamilah Star surfando no dia em que seria disputado o Eddie Aikau, tradicional campeonato de ondas grandes que só acontece com ondas acima de 20 pés e em perfeitas condições. "Isso me fez acreditar que era possível uma mulher surfar ondas grandes. Depois desse dia, decidi me dedicar ao big surf", explica. Foi uma decisão que mudaria a vida de Maya, tanto que ela não esquece a data exata de seu primeiro mar gigante em Waimea: "Foi no dia 5 de fevereiro de 2006. Ali, percebi que era aquilo que eu mais gostava de fazer e, portanto, que era aquilo que eu queria para a minha vida".
A menina de cabelos dourados pelo sol começou no surf apenas aos 14 anos. Até essa idade, sua atividade predileta era a dança. "A Maya nunca tinha mostrado habilidade para os esportes, mas sim muito talento para a dança", conta a mãe, Yamê. Ela compensou a descoberta tardia saindo para um giro pelo mundo atrás das ondas. Com o ensino médio terminado, ganhou carta branca dos pais para se mudar para o Havaí aos 17 anos, deixando o conforto do lar e da terra natal para correr atrás do sonho de se profissionalizar como surfista. Levando a típica vida dos brasileiros que se mudam para o paraíso das ondas, dividia o tempo entre surfar e ser garçonete.
Depois de quatro temporadas de muito treino e determinação para agüentar ficar até oito meses sem ver a família, Maya já não carrega mais as bandejas e conquistou seu espaço e respeito no mar e fora dele. "Fico muito à vontade em Waimea e Sunset. Só em Pipeline sinto um localismo forte", conta, referindo-se à esquerda com mais história e tradição do mundo.
Por falar em tradição, a filha do deputado Fernando Gabeira sonha em ser convidada para participar do Eddie Aikau, a maior celebração das big waves, exclusiva a 28 surfistas convidados por ano. Pelo andar das coisas, isso é questão de tempo. E aí, Maya deixará de ser a filha de Fernando Gabeira - Fernando é que será o pai da Maya.
PATROCÍNIOS: RED BULL / BILLABONG/ OAKLEY
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