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ACONCHEGO: Um adorável iglu na floresta nacional de Deschutes |
QUANDO AS PESSOAS OUVEM FALAR do meu projeto de construir iglus, às vezes elas me olham de um jeito engraçado. Admito que soa estranho - gastar uma grana e deixar trabalhos de lado para construir casinhas de neve. Mas depois que ouvem a história inteira, elas acabam querendo fazer parte do projeto.
"Chame de vila de iglus", eu disse para Nancy Pasternack, uma amiga e colega de trabalho. É novembro. Estamos num bar em Bend, Oregon (EUA), com neve empilhando-se lá fora - daquele tipo meio molhada, ótima para fazer uma boa argamassa de iglu. "Imagine não um ou dois, mas vários iglus", digo a ela. "Estou planejando pelo menos 12 lá."
"Lá" é a floresta nacional de Deschutes, a leste de Cascades. Dirija 20 minutos saindo de Bend e você encontrará 6.500 km2 de floresta antiga, vulcões abarrotados de enxofre e pistas fáceis de esqui, que gemem embaixo de 6 metros de neve todo inverno. É a melhor montanha que o dinheiro não pode comprar: visuais espetaculares, lagos tranqüilos, trilhas ilimitadas. O condomínio de iglus será meu próprio resort, um lugar onde eu e meus amigos poderemos nos aquecer com chocolate quente e pantufas, antes de sair para mais descidas e curvas. Barracas não durariam e cavernas cavadas na neve são claustrofóbicas. Mas iglus, construídos na sombra, podem durar o inverno todo. "As cabines de esqui já eram", digo.
Nancy parece confusa. Como a maioria das pessoas, ela provavelmente nunca viu um iglu de verdade. Faço uma cúpula com minhas mãos, as palmas para baixo, imitando o formato de um iglu. E então as movo por todo o lugar para sugerir a existência de vários. Isso também pode sugerir que estou ficando louco.
Até alguns meses atrás, eu também nunca tinha visto um iglu e achava que era uma trabalheira construir um. Mas depois de dar um Google em "abrigo de acampamento de inverno", tropecei na Icebox, uma ferramenta de construção que prometia iglus fáceis de montar e fortes o suficiente para durar. Então encomendei um, imaginando esquiadores cheios de roupa e gente cansada de andar com raquetes de neve chegando numa crista de montanha e achando - "O que é isto?" - uma vila de iglus! "Grande idéia!", disse minha amiga Tania Kneuer, uma terapeuta ocupacional. "Será como construir castelos." Ela e o marido, Scott Weber, se alistaram, assim como meu colega de trabalho Alex Berger.
De todas as pessoas para quem falei sobre a vila, poucos chegaram a me perguntar por que eu queria fazer aquilo. Nancy não perguntou, nem Alex. Minha noiva, Heidi, perguntou - mas só depois de eu gastar mais de 2 mil dólares num quadriciclo pra neve. De que outra maneira eu transportaria sacos de dormir, tochas e outras amenidades? Batizei o quadriciclo de Betty.
"Por que mesmo você quer fazer isso?", Heidi me perguntou quando liguei Betty na garagem, esperando ansiosamente pela primeira neve.
"O que você quer dizer com por quê?" Betty e eu saímos como um foguete pela rua, deixando um rastro de cascalho pelo jardim. A TEMPORADA DE NEVE começa em novembro, mas no princípio de outubro uma legítima blitz de inverno havia bombardeado as florestas com bolas brancas. Carregamos nossas tralhas e saímos. Betty solta nuvens de fumaça azul conforme aceleramos para o norte do monte Bachelor, passando por outras pessoas em quadriciclos que levantam as mãos numa saudação. Tania e eu nos apertamos num assento que seria para uma pessoa. Scott dirige um trailer atrás de nós, para conseguir levar o cachorro dele. Nós puxamos Alex em seus esquis antigos, agarrado a uma corda como um esquiador de água. "Uhuuuu!", ele grita, fazendo às vezes um S na neve.
Escola de Iglu
O Icebox e outros produtos de Iglu Ed podem ser encontrados no site grandshelters.com. Para aulas práticas de construção de iglu e cavernas na neve, a Canada West Mountain School oferece um curso de acampamento no estado de Colúmbia Britânica, Canadá (US$ 260; themountainschool.com). ALICIA CARR |
Assim como em todas as propriedades imobiliárias, localização é o fator mais importante na construção de vilas de iglus. "Que tal o lago Todd?", Alex sugere quando paramos para arrumar os equipamentos. "É um lugar perfeito." Com sua paisagem de floresta encantada, o lago Todd é realmente um lugar perfeito. Fica a cerca de 5 quilômetros da trilha, então dá pra chegar até de esqui. "Acho que não temos que nos preocupar com as leis de zoneamento", Scott brinca. Ele está certo. Construir iglus em propriedade pública - mesmo que seja uma dúzia deles - não traz mais questões legais que construir um exército de homens de neve. Como somos bons empreendedores, não causaremos impacto ambiental.
Guardamos o quadriciclo perto do lago, colocamos os esquis e botas de neve e deslizamos por entre as árvores de quase 2 metros de diâmetro. "Aqui é o meu lugar", digo ao chegarmos a uma clareira acima do lago. Pego o Icebox. "Iglu Ed diz que temos que construir primeiro a fundação."
Ah, Iglu Ed, o inventor. O cara que torna isso tudo possível. Nunca cheguei a conhecê- lo pessoalmente, mas sei muitas coisas sobre Ed Huesers. Aos 58 anos, ele parece ter saído de uma banda cover do ZZ Top. E, pelo que mostra uma foto que me mandou por e-mail, ele não usa calças - pelo menos não quando está atravessando rios no inverno. "Fazia -10ºC naquele dia", ele escreveu, parecendo um herói.
"Para mim, iglus são simplesmente melhores", diz Ed, notando que mesmo iglus de tamanho modesto são duas vezes mais espaçosos que uma barraca para três pessoas. Eles também são mais silenciosos e quentes, porque os blocos grossos de neve seguram o calor que emana do nosso corpo. Mas o problema em fazer iglus da maneira tradicional - empilhando blocos para formar um domo que você torce para que fique em pé - é que eles caem facilmente. "É preciso muita habilidade para conseguir o ângulo certo", diz Ed.
Leia mais sobre esta matéria na edição de Março da revista Go Outside.