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    As 30 melhores dicas de TREINAMENTO da (nossa) história

Por Grant Davis e Andrea Estevam

Três décadas atrás, treinar significava basicamente fazer esporte em intensidade máxima, o tempo todo. Então o fitness se massificou e se especializou, e “cientista esportivo” tornouse um objetivo legítimo de carreira. O resultado? Periodização, VO2 máximo, treinamento funcional, e mais. Abaixo, uma dose altamente concentrada de dicas de treinamento coletadas ao longo de 30 anos da Outside norte-americana e das 30 edições de Go Outside, com depoimentos dos atletas que admiramos

[faça a coisa certa]
>> Na musculação, abaixe os pesos lentamente. Isso treina seus músculos a absorver o impacto e controlar suas descidas na “vida real”.
>> Para treinos de até uma hora, beba somente água. Para esforços mais longos, vá de bebida esportiva com carboidratos.
>> Não adianta querer compensar os treinos perdidos com dois dias de treino intenso seguidos. Se você perdeu um treino, deixe pra lá.

SEJA FELIZ! O judoca Flávio Canto preza o bom humor e um ambiente com energias positivas. “Preciso estar feliz para fazer as coisas bem. Se eu não me sinto bem, não treino bem”, afirma.

> > [MANTENHA A SUA BASE DE CONDICIONAMENTO]
“Nunca fique tão fora de forma que entrar em forma se torne um esforço monumental”, diz o alpinista Conrad Anker. “Faço duas coisas todo ano: corro uma maratona e escalo o El Capitan. Isso me dá objetivos, e treino para alcançá-los.” “Pense em seu corpo como se fosse um carro. Se você pará-lo, pode ser que não pegue de novo. O corpo, assim como o carro, gosta de se mexer”, completa o homem-água Laird Hamilton.

[descubra seu limiar de lactato]
O que é isso? O ponto em que o ácido lático começa a se acumular em seu sangue mais rápido que a capacidade de seu corpo processá-lo, causando uma queda de performance (leia-se: dor). Treinar abaixo de seu limiar de lactato (LL) trabalha sua capacidade aeróbia. Treinar acima dele melhora a velocidade. Para determinar seu LL: (1) Aqueça-se por dez minutos. (2) Usando um monitor de freqüência cardíaca, corra ou pedale num percurso plano o mais rápido que puder por 30 minutos. (3) Seu LL é sua freqüência cardíaca média para esse período.
NAO ROUBE
Roubar no treino quando está se preparando para uma prova importante é um tiro que acaba saindo pela culatra. “Quando você está correndo o quilômetro 130 e está pronto para desistir, no fundo de sua mente você pensa ‘Cara, devia ter feito aqueles 20 quilômetros que faltavam’. E você sabe que não fez”, diz o ultramaratonista Dean Karnazes. Não pegar atalhos é uma vantagem física e psicológica.

A UNIÃO FAZ A FORÇA
Segundo um estudo sobre perda de peso feito em 1999 pelas universidades de Minnesota e Pittsburgh, aqueles que se exercitam com amigos têm mais chances de manter-se num programa de treinos. Treinar com um parceiro traz mais responsabilidade e serve de incentivo para aqueles dias em que você não está na maior energia. “Para não perder o pique, eu dificilmente treino sozinho, principalmente remo e bike”, diz Rafael Campos, corredor de aventura da equipe Mitsubishi QuasarLontra, vencedor da maior corrida de aventura individual, a Between Two Continents, na Costa Rica. “Ter companhia é sempre um estímulo, além de tornar mais difícil desistir do treino na última hora.”

> > [TRANSFORME GRANDES DESAFIOS EM PEQUENOS OBJETIVOS]
“Pense somente no presente e concentre-se em microobjetivos”, nos disse o ultramaratonista Dean Karnazes. “Corra até aquela placa ali na frente. Ok, agora continue até aquela árvore mais adiante, e assim vai. Faço isso incontáveis vezes nas provas que participo.”

[trabalhe sua força funcional]
“Quando você se senta numa máquina de musculação, com as costas apoiadas, você tende a não usar o resto do corpo. É preciso buscar o tipo de força que você pode controlar e aplicar”, avisa o surfista de ondas grandes Laird Hamilton. Para o tipo de musculatura útil, que vai melhorar seu progresso nas trilhas, rios e montanhas, é hora de abraçar o treinamento funcional, uma abordagem diferente do fortalecimento muscular com pesos que, em vez de isolar e “bombar” músculos, trabalha os movimentos envolvidos nos esportes. “Você precisa treinar em padrões que reflitam a vida”, diz Paul Chek, o mais conhecido propagador do treinamento funcional. Para ver várias sugestões de exercícios funcionais, acesse o nosso site: gooutside.com.br/funcional.
[MANTENHA SUA CABEÇA NO JOGO]
Preparo mental pode ser tão importante quanto o físico. O surfista Kelly Slater credita seu sétimo título mundial ao crescimento pessoal que ele conseguiu ao restabelecer laços familiares que andavam abalados. “Nunca estive tão relaxado”, ele disse antes de vencer.

TREINE COM PLANEJAMENTO
É preciso planejar e periodizar os treinos para ganhar condicionamento sem expor seus músculos a lesões e overtraining. “Alterne treinos intensos, leves e moderados e semanas de treinos intensos, leves e moderados. Dê tempo para o corpo se recuperar e depois leve-o ao próximo limite”, diz o preparador físico Luciano D’Elia. Veja aqui como alcançar condicionamento máximo em qualquer esporte com um programa de 12 semanas.

primeiro mês: Faça um treino com pesos para o corpo todo duas vezes por semana e três treinos aeróbios por semana (um deles longo e de baixa intensidade). A cada semana, aumente a duração do longo em 10%. Na quarta semana, corte o volume de treino pela metade.

segundo mês: Siga a planilha do primeiro mês, mas faça o treino com pesos somente uma vez por semana e inclua mais um dia de aeróbio. Na oitava semana, dedicada à recuperação, corte em 50% o volume de treinos.

terceiro mês: Substitua o treino com pesos de um dos dias por cross-training (treino de outra modalidade esportiva). Trabalhe sua velocidade fazendo um dos treinos aeróbios da semana com intervalos no ritmo que você deseja fazer na competição. O treino longo deve se manter o mesmo nas duas primeiras semanas; nas semanas 11 e 12 corte-o pela metade. Na semana 12, descanse para a competição fazendo somente 50% do volume de treinos da semana 11. Depois de cruzar a linha de chegada, tire uma semana de folga e recomece o ciclo.

> > [AUMENTE SUA IMUNIDADE]
(1) Exercite-se cinco vezes por semana
(2) Absorva seus antioxidantes de comidas integrais, não de comprimidos.
(3) Lave as mãos freqüentemente. (4) Tome uma injeção contra gripe.

[ALONGAMENTO NÃO É PIADA]
Algumas poses da ioga podem parecer engraçadas. Mas alongar ou fazer ioga diariamente melhora a flexibilidade e a resistência muscular. “Ioga é a melhor coisa que você pode fazer para a flexibilidade, a respiração e o equilíbrio”, diz Laird Hamilton.

[FIQUE MAGRO]
(1) Levante peso para construir músculos. Isso aumenta sua taxa metabólica de repouso, ou seja, a energia que você queima para manter seu corpo (e músculos) vivo.
(2) Coma aproximadamente a cada três horas. Refeições pequenas e freqüentes estão relacionadas a baixos percentuais de gordura corporal.
(3) Evite alimentos densos em calorias, como doces e frutas secas. Coma mais alimentos com alto nível de água e fibras, como vegetais crus e grãos integrais.

[trabalhe seu core]
Um core (nome que designa o conjunto de músculos abdominais, dorsais e estabilizadores da coluna) fraco pode causar dor crônica nas costas e outros problemas no tronco. A prevenção: exercícios abdominais e pranchas (segure o peso do corpo nos antebraços e nos dedos dos pés, mantendo o corpo reto como uma tábua). “O fortalecimento do core dá condições da pessoa fazer o que gosta por mais tempo, sem se contundir. Isso pode ser feito trocando o banco de exercícios pela bola de exercícios, por exemplo”, diz Luciano D’Elia.

[NÃO EXAGERE]
A não ser que você esteja disputando prêmios em dinheiro, espere seis meses entre maratonas e triathlons de longa distância.

> > [OUÇA SUA MÃE]
Endireite-se. Equilíbrio, coordenação e flexibilidade começam com uma boa postura. Em pé, você deve conseguir desenhar uma linha de sua orelha a seu calcanhar, com a linha dividindo seu ombro ao meio, passando por seu quadril e pela parte de trás de seu joelho.

> > [ESCUTE SEU CORAÇÃO]
Isso irá protegê-lo de overtraining durante treinos intervalados. Use uma proporção de dois para um — se seus intervalos durarem dois minutos cada, depois do primeiro intervalo recupere por um minuto e cheque sua freqüência cardíaca. Quando a freqüência não baixar para esse número nos intervalos seguintes, é hora de parar ou diminuir o esforço.

NAO CULPE A COMIDA
“Achar que carboidratos te deixam gordo é errado”, diz Chris Carmichael, treinador de Lance Armstrong e Dean Karnazes. “Você está gordo porque não está se exercitando. Culpar um tipo de comida por estar gordo é ridículo.”

Leia mais sobre esta matéria na edição de Novembro da revista Go Outside.

   
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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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