JURUENA É O MAIS NOVO PARQUE NACIONAL BRASILEIRO. Foi criado em 2006, fica no norte do Mato Grosso e é um verdadeiro gigante desconhecido: ele tem quase 2 milhões de hectares. No Brasil, só perde em tamanho para os Jaú e Pico da Neblina - ambos na Amazônia, com aproximadamente 2 milhões e 300 mil hectares cada, e mais de duas décadas de existência. Perde também para o Montanhas do Tumucumaque, criado em 2002, a maior unidade de conservação em área tropical do mundo, com 3,8 milhões de hectares. Assim como os outros, quando o Juruena foi oficialmente criado, entrou no imaginário coletivo dos naturalistas e amantes da natureza: o que haveria de tão especial dentro daquela vastidão de terras?
A resposta apareceu depois de uma expedição da organização não-governamental WWF-Brasil, realizada próximo à data de criação do parque. Dela participaram fotógrafos e cinegrafistas, espalhando as imagens do gigante mundo afora. O que se viu foi uma Amazônia em estado puro: rios, corredeiras, florestas e animais. Nada além das já consagradas imagens da região, o que não é um desmérito, afinal é sabido que a Amazônia é cenicamente belíssima. Mas o Juruena, muito além de ser um refúgio da natureza, tem importância crucial para a conservação da floresta. O parque integra o chamado Corredor do Sul-Amazônico, uma espécie de escudo de proteção que segue a partir de Rondônia pelo norte do Mato Grosso, sul do Pará, até o Maranhão, coincidindo com as áreas mais vulneráveis de toda a floresta amazônica.
Outros quatro grandes e não menos desconhecidos parques nacionais - Rio Novo, Serra do Pardo, Jamanxim e Campos Amazônicos - fazem parte de um programa governamental ainda maior chamado Arpa, ou Áreas Protegidas da Amazônia. Contando com apoio de importantes ONGs e de recursos financeiros internacionais, o Arpa nasceu em 2003 com o objetivo de criar e consolidar 50 milhões de hectares de áreas protegidas na floresta amazônica. Não só esses quatro novos parques, como diversas estações ecológicas, reservas biológicas, parques estaduais e florestas nacionais estão sendo criados por meio da ação. Seria uma internacionalização da Amazônia? Bem, esta é uma outra e longa discussão.
Analisando puramente o aspecto da preservação da floresta, Jamanxim e Rio Novo ganham importância suplementar por estarem na área de influência do polêmico asfaltamento da rodovia BR-163, a Cuiabá-Santarém. Há quem diga que os decretos desses parques são respostas políticas às pesadas críticas de que o asfalto facilita o desmatamento. O fato é que os dois parques cumprem importante papel, mesmo que por enquanto não passem de uma "canetada" presidencial para ganhar tempo e retardar o desmatamento. "Quando uma área vira parque, mesmo que no papel, imediatamente as terras caem de preço, inibindo a ação dos grileiros", explica o superintendente de conservação da WWF-Brasil, Cláudio Maretti. E às margens da BR-163 há grandes esquemas de grilagem, com imobiliárias clandestinas vendendo terras, em geral públicas, como se lhes pertencessem.
Mais ao norte, fora dessa área de desmatamento e tendo uma situação à parte, o Montanhas do Tumucumaque completa o conjunto dos novos parques da Amazônia. Embora não tão recente quanto os outros (foi criado em 2002), é uma imensidão de florestas virgens. Ocupando cerca de um quarto do estado do Amapá, na fronteira com a Guiana Francesa, o parque não sofre ameaças diretas e, pelo isolamento e dificuldades de acesso, encontra- se em elevado grau de conservação. Além da mata e dos rios, na porção oeste, no Escudo das Guianas, mesma conformação geológica do Pico da Neblina, há uma série de morros rochosos arredondados (pães-de-açúcar), que formam uma impressionante paisagem.
Muito provavelmente você não terá acesso a tais lugares tão cedo, mas é um alento e orgulho saber que existem em nosso país terras tão preciosas e protegidas. Resta cobrar dos responsáveis que respeitem o compromisso de preservá-las, para que um dia um outro objetivo desses megaparques - desenvolver o turismo - possa ser cumprido e nós, ou nossos filhos, tenhamos a oportunidade de conhecer esses refúgios naturais da humanidade.
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| RECÉM-CHEGADO: rio Sucunduri, no novo Parque Nacional de Juruena |