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| MOLDURA: Expedição de circunavegação em caiaque oceânico na Ilha Grande |
SE VOCÊ NÃO MORA NO RIO DE JANEIRO, pode começar a trabalhar esse sentimento ruim, mas às vezes inevitável, chamado inveja. Afinal, que outra cidade brasileira tem uma floresta dentro da área urbana? E qual outro estado oferece uma variedade tão grande de paisagens? Aventureiro por natureza, o Rio de Janeiro guarda montanhas altíssimas em maciços que se debruçam sobre vales, rios que serperteiam por corredeiras velozes e 635 quilômetros de litoral recortado por baías, lagoas e praias. Sem falar na capital onde se pratica de vôo livre a trekking e escalada, e no clima que nos convida a aproveitar a vida ao ar livre: a média anual é de agradáveis 23ºC e chove apenas ocasionalmente. A seguir, o "cardápio" esportivo fluminense, dividido por suas principais regiões.
NA SERRA
O que não falta no "Rí" são montanhas. Na serra da Mantiqueira, o maciço do Itatiaia guarda o Pico das Agulhas Negras, com 2.789 metros de altura, enquanto a serra dos Órgãos possui o Dedo de Deus, com 1.692 metros de puro granito e 13 vias de escalada. A região de Petrópolis, Teresópolis e Friburgo também é o paraíso dos montanhistas. Pedras como o Cão Sentado e os Três Picos de Friburgo atraem centenas de pessoas à serra fluminense todos os finais de semana. Não à toa: além de vias de cair o queixo, as montanhas do local contam com boas pousadas e restaurantes. Para quem vai com o objetivo exclusivo de escalar, há os abrigos de montanha, com instalações mais rústicas, mas posicionados estrategicamente. Com escaladas do nível 6 pra cima, que muitas vezes consomem mais de um dia, o ideal pode ser passar a noite no meio do caminho. "A região possui grandes paredes ideais para o nível intermediário, mas também agrada os mais experientes", diz o escalador carioca Alexandre Diniz, organizador da Mostra Internacional de Filmes de Montanha, a Banff.
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| CÉU: O maciço do Itatiaia guarda o Pico das Agulhas Negras |
A travessia Teresópolis-Petrópolis é destaque da região serrana. Seus 36 quilômetros geralmente são percorridos em três dias de trekking, com duas noites de camping selvagem em lugares de visual ímpar. No caminho, descortinam-se vales, cachoeiras com piscinas naturais e costões de pedra. "Talvez essa seja a trilha mais tradicional do Brasil, justamente por sua beleza", comenta o esportista Philipe Campello, gerente de marketing da TurisRio (Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro). O Caminho do Ouro, uma estrada histórica aberta pelos escravos entre os séculos 17 e 19, ligando São Paulo e Minas Gerais a Paraty, também é imperdível. As pedras originais do calçamento estão preservadas e o trajeto, que passa pela serra da Bocaina e pela mata atlântica, é um dos mais bonitos do país.
A região serrana também lidera a lista de preferências da turma do mountain bike. As cidades de Araras e Itaipava - cheias de pousadinhas charmosas e templos da alta porém simples gastronomia - enchem-se todos os finais de semana de bicicletas de várias partes do Brasil. "São rolês clássicos", diz o mountain biker e fotógrafo de esportes de aventura Pedro Cury.
As cadeias de montanhas de Petrópolis também são procuradas para vôo livre, especialmente vôos de parapente de longa distância. "É comum os pilotos decolarem da rampa do bairro de Siméria e voarem até Teresópolis", diz o piloto Vinicius Cordeiro, associado à ABVL (Associação Brasileira de Vôo Livre).
SE JOGA
Federação dos Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (Femerj):
www.femerj.org
Centro de Informações Turísticas do Caminho do Ouro: tel. (24) 3371 1783
Mountain bike: Pedro Cury: www.pedal.com.br
Associação Brasileira de Vôo Livre:tel. (21) 3322 0266 |
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| SALGANDO: Mangaratiba é um dos picos do estado com entrada para o mar |
NO INTERIOR
Com um relevo menos acidentado que o da serra, o interior do estado, entre o litoral e os grandes maciços montanhosos, é um território em descobrimento. No mountain bike, a grande estrela do downhill tem sido a pequenina Miguel Pereira, a 110 km da capital. Lá existem quatro boas pistas, que inclusive foram usadas em etapas do campeonato nacional da modalidade. Outra cidade que está despertando para o pedal - neste caso, o cross-country - é Nova Iguaçu, na Baixada. A serra do Vulcão, que está sendo reflorestada, tornou-se uma das maiores mecas do esporte no Rio, com trilhas de mais de 40 quilômetros de extensão.
O interior também guarda rios perfeitos para rafting. Casimiro de Abreu, a 120 km da capital, é o point máximo do esporte no Rio. O rio Macaé, para alguns comparável aos rios da Costa Rica e Nova Zelândia, é emoção garantida. São 80 km de corredeiras de todos os níveis, sem trechos de água parada. Basta dar as primeiras remadas para sentir o frio na barriga. "Garanto que é um dos melhores raftings do mundo", afirma Breno Nipeck, coordenador da operadora Canoar. Outro grande destaque do rafting está nessa mesma região: o rio Paraibuna, em Levy Gasparian, a cerca de 200 km da capital. Surpreendente com suas 22 corredeiras distribuídas em 20 km de descida, em 2004, o Paraibuna sediou o 9º Campeonato Brasileiro de Rafting.
SE JOGA
Canoar: tel. (22) 2778 1072 |
NO LITORAL
O litoral do Rio de Janeiro ocupa lugar de ouro, junto à região serrana, no mapa esportivo do estado. Saquarema, na região dos lagos, é um dos principais points de surf do país. Com ondas de até três metros de altura, o local já sediou diversas competições e até hoje é a praia fluminense preferida de surfistas campeões como Eraldo Gueiros. Na capital, a Prainha, depois do Recreio dos Bandeirantes, se tornou outra meca do surf - e não só pelas ondas fantásticas. Os freqüentadores do local conseguiram que a praia fosse declarada área de proteção ambiental e com isso o imenso paredão de mata atlântica que protege esse trecho do litoral ficou resguardado do desmatamento.
Também na cidade, a baía de Guanabara é uma ótima opção para o remo e a canoagem, assim como o bairro da Urca. A Barra da Tijuca, também na capital fluminense, sedia cada vez mais escolas de windsurf e kitesurf. Fora da capital, São Pedro da Aldeia, na região dos lagos, rivaliza com Búzios nessas duas modalidades. Ambas oferecem as condições adequadas para a prática desses esportes, que exigem águas mais profundas. Em Búzios, especialmente, os ventos possibilitam que se pratique diversas categorias de vela e as praias mais calmas recebem bem os canoístas.
A baía da Ilha Grande também recebe tanto velejadores quanto adeptos da canoagem havaiana e oceânica. Muitos cariocas saem do Rio e vão remando até a ilha, várias vezes encontrando pelo caminho golfinhos e tartarugas, comuns na região. "O cenário é fenomenal", diz João Bandeira, secretário do clube de canoagem Rio Va'a. A baía é também um dos melhores points de mergulho do Sudeste, com uma infinidade de peixes, crustáceos e corais - além de naufrágios, alguns deles perto da costa. A natureza preservada e o acesso dificultado, além da própria formação geográfica, com suas por 365 ilhas, favorecem a conservação da fauna marinha. Outro ponto de mergulho carioca reconhecido internacionalmente é o Arraial do Cabo, onde as correntezas frias da Antártida propiciam o desenvolvimento de espécies únicas. Só podia ser mesmo no Rio, onde tem lugar até para águas geladas em pleno clima tropical.
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