Os atletas de elite são sortudos portadores de mutações gênicas?
Apesar de parecer que a braçada de Michael Phelps é algo de outro mundo, ele não conseguiria fazer parte do time de mutantes do X-Men. Esses atletas extraordinários não são nada mais do que bons esportistas que tiveram sorte em sua herança genética. “Para esse tipo de atleta, houve uma feliz combinação de genes. E isso é o mais importante. Porque não adianta nada treinar muito e se alimentar super bem se a carga genética do esportista não for favorável”, explica Paulo Zogaib, médico especialista em esportes. Em média, embriões normais carregam cerca de 300 mutações genéticas, que em sua maioria transformam-se em problemas e doenças mais ou menos graves. Mesmo assim, casos raros de atletas que sofrem mutações “para o bem” acontecem.
Vide o atleta finlandês de cross-country Eero Mäntyranta, que conseguiu duas medalhas de ouro na Olimpíada de 1964, em Innsbruck. Depois de 20 anos de seus feitos, ele descobriu que uma mutação em um dos seus receptores para o hormônio eritropoetina aumentou em 20% o número de células que carregam o oxigênio em seu sangue. Mesmo assim, ele não conseguiu uma vaga como herói de histórias em quadrinhos…
Quão íngreme uma montanha pode ficar sem desmoronar?
Qualquer montanha pode desmoronar, mesmo aquelas que têm superfícies horizontais. Em geral, a regra funciona assim: se o ângulo não-consolidado da montanha é maior que seu ângulo de repouso (o maior ângulo em que materiais como areia e pedrinhas vão ficar no mesmo lugar, sem escorregar), a montanha corre perigo de desmoronar. Mas essas regras mudam caso ocorram fatores que diminuem o atrito que agrupa as partículas mais vulneráveis da montanha. Esses fatores podem ser derretimento rápido da neve, mudanças no nível da água, erupções vulcânicas, terremotos e chuva em excesso. Áreas queimadas – que perderam sua vegetação e têm solo alterado quimicamente – e com camadas distintas, como argila no topo de um solo vulcânico, também têm mais chance de escorregar, independente da combinação de seus ângulos. “Uma montanha atinge sua aparente estabilidade depois de um tempo extraordinário, contado em milhões ou milhares de anos. Para voltar à instabilidade é necessário que processos que alterem o seu atrito voltem a ficar ativos”, resume o professor doutor Fadel David Antonio Filho, geógrafo da Unesp de Rio Claro, em São Paulo. Mesmo depois de todas as explicações teóricas, há um jeito bem prático de saber se a montanha de sua próxima escalada irá desmoronar: se ouvir um ruído alto e prolongado vindo do topo, é hora de dar o fora o mais rápido possível...
Quais plantas sobrevivem nas maiores altitudes? Novas espécies são descobertas a cada ano, mas o campeão é um líquen encontrado a aproximadamente 8 mil metros no monte Makalu, vizinho ao Everest. Alguns especialistas, no entanto, não consideram que líquens sejam plantas, e sim resultado de relações simbióticas entre fungos e algas. Entre as plantas vasculares – aquelas que transportam água para suas folhas – destaca-se a Saussurea gnaphalodes, uma roseta baixa que cresce a 7 mil metros no monte Everest. Para João Senir, professor doutor em biologia vegetal da Unicamp, plantas que sobrevivem às condições extremas dos páramos andinos (onde à noite há geada e neve e durante o dia a temperatura pode alcançar os 50 graus) também são fortes candidatas. A maioria é do gênero Espeletia, que pertence à família dos girassóis. As plantas que sobrevivem nesses lugares altíssimos consolidam mecanismos especiais de proteção: como o gás carbônico é escasso nas montanhas, elas desenvolvem mais poros para acelerar a troca de gases e investem em mais massa biológica nas raízes do que nas extremidades. Nos montes Apeninos, espécies extraordinárias chegam a fechar suas folhas para proteger suas gemas contra o frio. “Essas plantas são feitas para durar e podem viver até 3 mil anos”, explica Stephan Halloy, biólogo neozelandês do Instituto de pesquisa de Colheita e Comida.
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