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    Pingüins de luxo
BEM-VINDO AO HALLEY VI, O ENDEREÇO MAIS QUENTE DO PÓLO SUL

ILUSTRAÇÃO COLIN HAYES

EM ALGUM MOMENTO ENTRE AGORA e o ano de 2015, várias dezenas de quilômetros quadrados da banquisa de gelo (local em que a camada de gelo descansa sobre a superfície do mar) antártica de Brunt vão provavelmente se separar no mar de Weddell, levando consigo a famosa estação de pesquisa britânica Halley V, que está em operação desde 1956.

E assim a Halley VI, um complexo de 74 milhões de dólares e 720 toneladas de peso que pode abrigar uma equipe internacional de até 56 pesquisadores do gelo, está sendo construída a toque de caixa. Um módulo-teste foi montado no começo deste ano e a construção completa começa em outubro. Mas essa estação estará longe de se parecer com os contêineres iluminados por luz fluorescente que serviram como centro de pesquisas polares no passado. A base, que começará com oito módulos que podem ser expandidos, será construída sobre esquis de aço, para que as unidades possam ser reconfiguradas, levantadas ou abaixadas conforme a altura da neve, e rebocadas para um terreno mais seguro caso o gelo comece a rachar.

O módulo central, com dois andares, terá parede de escalada, sala de TV, cozinha, academia, sala de jogos, sala de música e sauna; um átrio de vidro que simula luz natural para ajudar a combater a depressão durante os meses escuros de inverno; e um jardim de vegetais hidropônicos que irão substituir os vegetais enlatados das estações anteriores. Quatro geradores movidos a combustível de avião abastecerão a base de energia e virão equipados com conexões para futuras unidades movidas a energia solar e eólica.

O lado sul abrigará todas as instalações científicas da estação, enquanto que o lado norte será a casa de 16 residentes anuais e até 40 visitantes de verão. Todos terão que caminhar ao ar livre para chegar aos laboratórios - mas isso não é um erro de projeto. "Manter aquela sensação de andar até o trabalho é algo que descobrimos ser muito importante para quem mora um tempo aqui", explica Peter Ayres, o diretor da equipe de desenvolvimento da Halley VI. "Eles querem fugir da sensação de morar e trabalhar na mesma bolha o tempo todo." E, suspeitamos, eles têm esperanças de que esse trajeto de 120 metros leve a um dia ou dois de diversão na neve. (JASON DALEY)

   
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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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