NUM SÍTIO NO MUNICÍPIO paulista de Monteiro Lobato, na serra da Mantiqueira, 26 atletas sujos de lama encaravam felizes a subida do morro. Após uma noite de chuva, o sol aparecia e deixava a pista em perfeitas condições. Era só travar os pés na prancha e acelerar montanha abaixo.
A pista - moldada ao longo de cinco meses pelas enxadas dos atletas Fábio Lopes, Eduardo Gimenes e Rodolfo Bazetto, de São José dos Campos (SP) - fica numa grande área de reflorestamento de eucaliptos do alojamento Recanto do Sauá. O trio pesquisou o local, idealizou o traçado e botou a mão na massa, ou melhor, na terra, para criar um percurso que desafiasse os competidores. Agora os praticantes do mountainboard têm mais uma pista oficial, além das já existentes em São Roque (SP), Visconde de Mauá (RJ), Barra do Ribeiro e Porto Alegre (RS) - pouquíssimas opções para um país com o potencial do Brasil. Enquanto engatinhamos no esporte, no exterior já são 15 países que participam do World Series, da European Cup (que reúne ingleses e italianos) e do USA Open, provas que atraem cada vez mais profissionais do skate off-road.
Na pista do Sauá, a largada já assusta. Lança o atleta em um gap de um metro, seguido de duas curvas que antecedem uma descida forte e reta até uma mesa que lança o competidor para o alto. Em seguida vem um platô com várias "costelas" que exigem ginga para manter a velocidade e alcançar o trecho final da pista: uma seqüência de sete curvas até a chegada. A segunda curva é a mais veloz, fazendo com que fosse construído um paredão de madeira em sua lateral para aumentar a segurança dos atletas - o que não impediu vôos espetaculares durante a prova.
Apenas alguns atletas haviam testado a pista, por isso era grande a expectativa com a estréia oficial dos 500 metros de descida. Nos treinos, o desafio era acertar a velocidade nas curvas, a calibragem dos pneus e a regulagem dos carrinhos. Com a lama nos pneus, os boards perdiam velocidade e na seção mais plana muitos atletas tinham que "remar" com um pé para continuar a descida. A dificuldade era emendar a pista sem precisar dar impulso e dominar a prancha em cada trecho. Na primeira descida em linha reta, alguns chegaram aos 40 km/h. Já nas curvas, os tombos foram um espetáculo à parte. Esse trecho com certeza definiria o campeonato.
A única maneira de desacelerar o skate é com um slide - quando o atleta desliza com o board de lado, e não de frente -, já que nas provas não é permitido o uso dos freios que podem ser instalados na pranchinha.
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| EM SENTIDO HORÁRIO: Felipe Preto saindo na frente de Fábio Lopes na primeira bateria do boardercross; Eduardo Gimenes, o campeão do downhill e um dos construtores da pista; e André Felipe "Filú", campeão no boardercross |
Nesta segunda etapa do campeonato brasileiro, rolaram as modalidades downhill e boardercross dual, subdivididas nas categorias expert, master e feminino - esta última disputada por Mariana Magalhães, a Mana, de Belo Horizonte (MG), e Alyne de Godoi, a Baiana, de Cotia (SP).
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