AMSTERDÃ - Falar que a Holanda, mais precisamente Amsterdã, é um exemplo de locomoção sustentável é óbvio. Mas o que poucos sabem é que eles já exportam seu know-how para outros países. Instituições sem fins lucrativos como a I-Ce (www.cycling.nl) desenvolvem workshops em países em desenvolvimento, como o Brasil, treinando técnicos e especialistas em trânsito e urbanização nas soluções que foram vitoriosas por lá. Atualmente, quase 80% da população de Amsterdã tem bicicleta e cerca de um terço das viagens diárias é feita com esse meio de transporte, mesmo no frio. O índice de mortes relacionadas ao trânsito é cinco vezes menor que no Brasil. Mas isso não aconteceu da noite pro dia. Desde os anos 70, a Holanda investe num sistema de tráfego que privilegia ciclistas e pedestres. Ciclovias cobrem praticamente a cidade inteira, com exceção das principais vias do centro, onde pedestres, ciclistas, bondes e ônibus dividem as ruas. As crianças aprendem desde cedo noções de como usar a bicicleta nas ruas e as estações de metrô possuem estacionamento para as magrelas.
BOGOTÁ - Enrique Peñalosa não será esquecido tão cedo pelo povo da capital da Colômbia. Prefeito entre 1998 e 2001, ele revolucionou os meios de transporte na cidade. Construiu 300 km de ciclovias, proibiu 40% dos carros de circular nos horários de pico durante os dias de semana e instituiu um dia por ano em que TODOS os carros são proibidos de sair da garagem. Além disso, as antigas avenidas deram espaço a praças e espaços públicos com o objetivo de tornar a cidade mais humana e democrática. Apesar de quase ter perdido o cargo devido à resistência da população, hoje esses mesmos colombianos aproveitam as mudanças: cerca de 400 mil pessoas vão ao trabalho de bicicleta. Na opinião de Peñalosa, o carro separa as pessoas, enquanto a bike as une. Atualmente ele divide sua experiência com outros governantes no mundo e incentiva centros como Nova York a adotar a cultura da igualdade de direitos para os cidadãos.
COPENHAGUE - Na capital da Dinamarca o processo não foi tão radical como na Colômbia. Nos últimos 40 anos a cidade vem se transformando para privilegiar a bicicleta como meio de transporte. São 320 km de faixas para bicicletas, e as autoridades locais ainda não estão satisfeitas com os cerca de 30% da população que trocou o carro pela magrela para ir ao trabalho. O objetivo é chegar aos 40%, e para isso investem constantemente em melhorias para proporcionar aos seus habitantes uma ótima experiência na pedalada. Os táxis possuem rack para as bikes e a cidade desfavorece o uso de carros, tornando os espaços para estacionamentos raros e caros
UBATUBA - Com 79 mil habitantes e 70 mil bicicletas, a cidade do litoral norte paulista é pioneira no país. Desde 2005, está sendo implantado o Programa Cicloviário de Ubatuba, com mais de 35 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e linhas de bike na cidade. No final do ano passado, o prefeito Eduardo Cesar e o diretor de trânsito Ronaldo Lopes já comemoravam a redução de 40% no número de acidentes onde as novas ciclovias foram implantadas. A segunda fase do projeto, já em operação, consiste em "apertar" a fiscalização dos ciclistas infratores. No intuito de educar e garantir mais segurança à população, os ciclistas que não cumprirem as leis de trânsito terão suas bikes apreendidas e encaminhadas para o pátio da Secretaria de Segurança Pública, onde poderão ser posteriormente retiradas pelo dono. Está previsto também um plano de educação básica de trânsito nas escolas municipais.
ARACAJU - A capital sergipana recebeu em 2005 o prêmio concedido pela Associação Nacional de Transporte Público (ANTP) e pela Associação Brasileira dos Fabricantes, Distribuidores e Importadores de Peças e Acessórios (Abradibi) como reconhecimento do projeto de ciclovias que vem desenvolvendo desde 2001. Em cinco anos, a extensão das ciclovias triplicou, chegando a quase 24 km de vias seguras e sinalizadas pela cidade. A Prefeitura também construiu um bicicletário no Centro Histórico. O prêmio é concedido a cada dois anos e avalia as principais iniciativas de empresas e entidades que projetaram ou desenvolveram novas práticas e políticas em prol da mobilidade por bicicletas. |