PROVAVELMENTE VOCÊ JÁ VIU ESSA CENA: uma fila interminável de carros parados no trânsito, enjaulando pessoas impacientes e soltando muita fumaça pelos escapamentos. Enquanto isso, um ciclista pedala pelo corredor, fazendo inveja aos motoristas confinados. Se você estava na magrela, já deve saber das vantagens de trocar o carro pela bike, mesmo que de vez em quando. Se você estava no carro, bem... está na hora de pensar seriamente em mudar de lugar.
Quem pedala mantém o corpo em atividade sem hora marcada para isso. Economiza grana - já que diminui gastos com combustível, manutenção e estacionamento - e tempo: não fica refém dos congestionamentos e já sai sabendo que horas chegará ao seu destino. A energia é gasta para girar os pedais, e não para amaldiçoar o semáforo que abriu e fechou, e você não andou. Num simulado batizado de Desafio Intermodal, realizado no Rio e em São Paulo, quatro pessoas saíram para fazer um mesmo trajeto de moto, bicicleta, carro e transporte público (ônibus + metrô e trem + metrô). A bike foi a segunda colocada, chegando poucos minutos depois da motoca.
Além de todos esses motivos "egoístas", nossos tempos de pré-colapso ambiental trazem uma razão maior para se trocar o carro pela bike: a bicicleta não solta absolutamente nenhum gás poluente, enquanto os carros são responsáveis por absurdos 70% da poluição urbana.
Fazer essa troca, porém, não deixa de ser uma luta do mais fraco contra o mais forte - por enquanto -, já que as magrelas têm de disputar espaço com os carros. Grande parte dos ciclistas de final de semana garante que se as condições nas ruas fossem mais igualitárias para motoristas, ciclistas e pedestres, já estariam pilotando um guidão ao invés de um volante.
São os motores que dominam as ruas nos centros urbanos do país, que não foram planejados para o uso da bicicleta como meio de transporte. E isso tem sua razão de ser. Com o início da indústria automobilística no Brasil no final da década de 50, ter um carro passou a ser o sonho de muitos brasileiros, e incentivou os governantes a concentrarem seus investimentos na infra-estrutura rodoviária. Só que isso não parou nunca mais. Apesar do transporte coletivo estar ganhando espaço à força, o carro ainda é o rei das ruas. São gastas fortunas na construção de túneis e outras obras com foco nesse veículo, que oferece a pior relação espaço ocupado na rua versus pessoas transportadas.
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