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    Águas turbulentas

As seis maiores crises da água no mundo, e o que está sendo feito para controlá-las

Em alguns lugares, falta água. Em outros, onde existe água, ela é inescrupulosamente poluída ou represada. A seguir, está um resumo dos maiores problemas relacionados a água que afligem hoje o mundo (e nosso país). A vida humana depende de encontrarmos — e colocarmos em prática — soluções para essas crises

1- Falta de acesso
SITUAÇÃO: Para uma boa porcentagem da população do planeta, abrir uma torneira é um milagre tão incrível quanto transformar água em vinho. Isso porque 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso a água potável, e dois quintos da humanidade – 2,5 bilhões de pessoas – não dispõem de instalações sanitárias, o que resulta em contato regular com dejetos humanos, particularmente nas fontes de água locais. No Brasil, 20% da população não tem acesso a água potável. O resultado disso é fatal: cerca de 5 milhões de pessoas por ano no mundo – a maioria crianças – morrem de doenças transmitidas pela água, como cólera, febre tifóide, disenteria, hepatite e diarréia, que sozinha mata uma criança a cada 15 segundos, de acordo com as estimativas. Segundo alguns estudos, 80% dos problemas de saúde das nações em desenvolvimento está relacionado à água contaminada. “Não é problema de falta de reservas ou tecnologia – tem água limpa no mundo inteiro”, explica Ted Kuepper, diretor-executivo da Global Water, uma organização não-governamental da Califórnia. “A questão é levá-la até onde estão as pessoas.”

SOLUÇÃO: Em locais de clima seco, poços são geralmente a única fonte de água limpa, embora sistemas coletores de água da chuva também possam ser usados, como as cisternas, cada vez mais difundidas no semi-árido brasileiro. Bastaria equipar os vilarejos com torneiras e latrinas comunais para reduzir as doenças em mais de 75%. Essa causa está na moda. O astro do hip-hop Jay-Z filmou recentemente um documentário para a MTV sobre problemas com água. Já o ator Matt Damon criou a H2O Africa Foundation, para trazer o acesso à água a regiões do Senegal, Mauritânia, Mali, Líbia e Egito. Mas a ONU comanda a missão mais ambiciosa de todas: um de seus Objetivos de Desenvolvimento do Milênio é reduzir à metade até 2015 o número de pessoas sem acesso a água limpa e condições sanitárias básicas, objetivo que a Organização Mundial de Saúde diz que vai custar US$ 11,3 bilhões por ano.

2- Oceanos em perigo
SITUAÇÃO: A imensidão azul está com problemas imensos. Populações de peixes estão cada vez menores por causa da pesca excessiva (uma pesquisa recente publicada na revista Science estima que em 2048 não haverá mais alimento em quantidade comercial no mar) e a poluição criou cerca de 200 áreas desoxigenadas em lugares como o golfo do México, onde há uma “zona morta” do tamanho do Rio de Janeiro. Enquanto isso, a pesca de arrastão, em que redes são arrastadas pelo fundo do oceano, está destruindo frágeis ecossistemas como os jardins de coral, e linhas longas estão pegando animais como tartarugas e albatrozes, dizimando suas populações. O desenvolvimento desenfreado está pondo em risco as costas, e as emissões de CO2, que concentram o carbono na água e detonam o equilíbrio do pH, estão causando a acidificação dos oceanos, o que pode destruir uma vasta gama de vida marinha – de ostras a recifes de coral.

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Edição nº 56 - Janeiro/10
 
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