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| TROFÉU: Tubarão Mako (Isurus oxyrinchus), caçado mundo afora por sua barbatana e pela glória |
NÃO VEJO NADA de cima da ponte do Blue Fin IV. Nada de terra firme, nada de outros barcos, nada. As ondas que vêm dos confins do mundo passam por baixo da embarcação, balançando-nos suavemente ao som da água batendo na madeira - um ritmo quebrado somente pelo ocasional roçar de um tubarão no casco.
Sob mim, na cabine de comando do barco, Rocko Cole realiza seu principal dever do momento: preparar os quilômetros de cumprimento da linha de pesca, suja de sangue de peixe, com fatias de carne de peixe e pedacinhos de entranhas de peixe. Para conseguir o que ele chama de "efeito de superfície", Rocko prendeu a ela embalagens de doces, uma caixa de papelão e copos vazios de frappuccino do Starbucks. Com uma faca de carne, ele começa a picar um peixe meio morto. De tempos em tempos, joga uma porção da sopa sangrenta por cima do ombro, para dentro do mar. O braço de Rocko tem uma tatuagem de um punhal atravessando um coração com o nome "Kathy".
"Tem uns quatro ou cinco tubaroes azuis todos maiores e mais pesados que um homem adulto com dorsos de uma cor anil iridiscente e longas barbatanas peitorais que os deixam parecidos com avioes de combate subaquaticos"
Na proa, está o capitão Michael Potts, com sua camisa de flanela azul e calça presa por suspensórios. Com 47 anos, usa um bigode curto, mas volumoso, óculos de aviador e uma viseira com tufos de cabelos negros caindo sobre a faixa que a prende. Está soltando uma pequena pipa preta ao vento, enquanto explica porque decidiu nos trazer àquele ponto específico do oceano. A resposta a esse enigma inclui uma mudança de temperatura causada por um redemoinho de água quente da Corrente do Golfo batendo em uma faixa de água costeira mais fria.
Há três clientes a bordo: um passional homem de negócios de meia-idade e cabelos castanho-ruivos de New Jersey e seus dois filhos com idade para estar na faculdade. O pai está falando sem parar, tentando convencer os filhos que pescaria é excitante, mas ambos estão quase dormindo nas cadeiras do deck. O filho nº 1 usa um corte de cabelo curto e descolorido, típico de jovens suburbanos briguentos; o filho nº 2 tem uma aparência conservadora, o que dá a entender que seu irmão mais novo costuma chamar mais atenção que ele.
Da cadeira do capitão do Blue Fin IV, dou uma olhada na tecnologia ao alcance das minhas mãos: GPS, dois rádios com embaralhadores de sinal, um celular, uma tela de radar e um cromoscópio. Estamos nos movendo a três milhas por hora rumo ao noroeste, passando sobre uma coluna de 75 metros de água, a 40 km ao sul do Porto de Montauk, em Long Island, Estados Unidos. A temperatura da água é de 20ºC, e vai esquentando aos poucos. O que não consigo ler nesses instrumentos, entretanto, é a única coisa que o capitão Potts, Rocko e o empresário de New Jersey querem saber: tem algum tubarão mako por aqui grande o bastante para ganhar o prêmio do torneio de caça a tubarões do Iate Clube de Star Island, o Mako Mania? Para responder a essa pergunta, continuamos jogando a isca no mar.
O que temos ao nosso redor são tubarões azuis. Surpreendome ao vê-los continuar por aqui depois de descobrirem que somos um barco de pesca esportiva de 41 pés, movido a diesel e feito sob encomenda, e não uma baleia morta. Tem uns quatro ou cinco deles, todos maiores e mais pesados que um homem adulto, com dorsos de uma cor anil iridiscente e longas barbatanas peitorais que os deixam parecidos com aviões de combate subaquáticos. Os tubarões cortam a superfície com suas barbatanas dorsais, depois mergulham nas profundezas, só para voltar de repente do nada para abocanhar um pedaço da isca, uma carcaça de atum amarelo de 20 quilos, pendurada do lado do barco por um cabo. Rocko pega a linha e a arranca deles como se tirasse um chinelo da boca de um cachorrinho.
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