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    COM O PÉ NA PORTA

POR EDINHO LEITE*

O PARANAENSE JIHAD KHODR NUNCA TEVE PORTAS ABERTAS NO SURF. Na real, em sua carreira, ele teve que enfiar o pé na porta diversas vezes para conseguir entrar onde desejava.

Para começar, ele é o único surfista muçulmano profissional do mundo. Após os atentados de 11 de setembro e a maluquice da guerra ao terrorismo de Bush, esse detalhe pessoal se transformou em dor de cabeça. Em 2001, teve sérios problemas para chegar ao Havaí, onde disputaria etapas do WQS (divisão de acesso ao primeiro escalão do surf profissional).

Em 2005, após lutar muito por seu lugar no WCT, a primeira divisão do surf profissional mundial, viu suas chances desaparecerem na reta de chegada, quando perdeu a última vaga para o tão sonhado caminho ao título mundial. Jihad ficou abaladíssimo. Chegou a pensar em parar de competir, mas a força de vontade e o apoio da família ajudaram-no a recuperar sua garra característica.

Em 2006, Jihad, aos 22 anos, é o novo campeão brasileiro de surf profissional. Um feito e tanto, especialmente se levarmos em conta a corrida paralela que travou para se garantir na elite mundial. Ele venceu o SuperSurf 2006 (o circuito brasileiro profissional) como se fosse um degrau para seu objetivo maior, o WCT. Paralelamente, se garantiu na elite para 2007.

Das cinco etapas do cenário nacional, Jihad foi ao pódio em quatro. Viu a chance de ser campeão por antecipação em Itacaré, na penúltima etapa, escapar por pouco. Conseguiu enxergar o lado bom das coisas e foi para a última etapa, na Barra da Tijuca, no Rio, focado em seu objetivo de vencer. O equilíbrio mental com o qual competiu no circuito brasileiro pode ser justamente a "chave" que falta à maioria dos nossos atletas que já figuraram ou ainda estão no WCT.

Sua velocidade, versatilidade nas manobras e, principalmente, a atitude mental podem levá-lo a uma brilhante carreira na primeira divisão do circuito mundial. Conheço poucos atletas que conseguem equilibrar a vida estressante das competições com a diversão que esse mesmo caminho pode proporcionar. Talvez seja essa a grande vantagem de Jihad Khodr. Quando ele faz uma coisa, faz com vontade. E não parece haver maneira de tirá-lo do caminho que resolve tomar. Aos oponentes, um aviso: ele está de pé, firme, na frente da porta.

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JIHAD KHODR

*EDINHO LEITE É EDITOR-CHEFE DA REVISTA HARDCORE, ESPECIALIZADA EM SURF

   
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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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