
MODALIDADE: WINDSURF
IDADE: 25 ANOS
BERÇO: FLORIANÓPOLIS, SANTA CATARINA
POR QUE É UM OUTSIDER: BATEU O RECORDE MUNDIAL AO PERCORRER, SOZINHO E NON-STOP, A MAIOR DISTÂNCIA OCEÂNICA DE WINDSURF AO VELEJAR MAIS DE 370 QUILÔMETROS DE FERNANDO DE NORONHA A NATAL |
MUITA GENTE PODE PENSAR QUE SE TRATA DE UM APELIDO, mas Guerreiro é mesmo o sobrenome desse incansável atleta que acaba de realizar uma aventura histórica: nos dias 26 e 27 de setembro, Diogo velejou sozinho mais de 370 quilômetros, de Fernando de Noronha a Natal, batendo o recorde mundial de maior distância oceânica percorrida de windsurf, sem nenhum barco de apoio e sem escala em terra.
Conquistas como essa não faltam em seu currículo. Entre maio de 2004 e julho de 2005, em companhia do velejador Flavio Jardim, percorreu a costa brasileira partindo do Chuí, extremo sul, até chegar ao Oiapoque, no norte. Os dois não só tornaram-se recordistas mundiais em distância percorrida de windsurf, como também ficaram com a marca de menor embarcação a vela a percorrer a costa nacional.
Nascido em Floripa, Diogo pratica windsurf há mais de 14 anos. O recordista chegou a cursar três anos de arquitetura, mas desistiu quando se deu conta de que não havia mais espaço para nada em sua vida além dos treinos e expedições de wind. Sábia decisão.
Hoje morando em Garopaba, Diogo comemora os feitos. A expedição Noronha/Natal ainda o deixa radiante. A princípio, ele iria fazer o trajeto acompanhado pelo amigo e velejador Flavio Jardim. Mas o companheiro, às vésperas da viagem, levou uma mordida de um pastor alemão. "Eu tive 24 horas para mudar todo o planejamento de duas para uma só pessoa. Não podia desistir. A previsão do tempo era favorável, eu estava bem fisicamente. Decidi não abrir mão desse sonho, e deu certo."
Claro que a travessia teve momentos duros. Diogo passou por vários perrengues e chegou a querer desistir. "Foi um sofrimento, nem posso dizer que me diverti. No início estava apreensivo. Quando anoiteceu, pensei até em chamar o resgate, mas a Marinha não trabalha à noite", conta. Sem contar o pânico do rapaz ao pensar na possibilidade de ser atacado por tubarões. "Conversei com um biólogo antes de viajar e ele me aconselhou a levar um espeto de churrasco para atacar o bicho. Um tubarão passou embaixo da minha prancha uma vez, mas só de curiosidade."
Com 2007 apontando em seu horizonte, Diogo começa a traçar mais uma de suas aventuras - dar a volta ao mundo em um veleiro, durante dois anos, acompanhado de Flavio. Desta vez, quer apenas curtir o prazer de sair pelo mar. Como bem escreveu o poeta Fernando Pessoa, "navegar é preciso".

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DIOGO GUERREIRO |
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