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    A ATLETA QUE VAI FUNDO

MODALIDADE: MERGULHO LIVRE
IDADE: 38 ANOS
BERÇO: RECIFE, PERNAMBUCO
POR QUE É UM OUTSIDER: CONQUISTOU VÁRIOS TÍTULOS E RECORDES ESTE ANO, FINALIZANDO 2006 COMO UMA DAS CINCO MELHORES MERGULHADORAS DO MUNDO

O FILME DA VIDA DE KAROL MEYER é Imensidão Azul - ela confessa que assistiu ao longa-metragem mais de 13 vezes. Normal: não há no Brasil figura mais apaixonada pelo mergulho que ela.

Aos cinco anos, a garotinha já acompanhava o pai, Carlos Irapuan Meyer, em suas sessões de pesca. Pouco depois, durante as saídas paternas para pesca submarina, ela percebeu que tinha uma relação especial com a água e que era capaz de ficar longos períodos submersa, sem respirar, só curtindo as belezas oceânicas. Até que um dia, aos 19 anos, enquanto tomava banho de piscina no clube, decidiu testar sua capacidade de ficar imersa na água sem se mexer. Chegou à surpreendente marca de 3min39s - isso sem nenhum preparo prévio. Começava aí uma história de sucesso rara entre atletas brasileiros especialistas em apnéia.

Hoje, aos 38 anos, essa recifense criada em Florianópolis é o maior nome do mergulho livre no Brasil. A lista de conquistas é longa, por isso vamos falar só de 2006, ano em que Karol bateu o recorde nacional de apnéia dinâmica com nadadeiras (121 metros), superou o próprio recorde nacional na mesma categoria (chegou a 125 metros), ficou com o recorde pan-americano de apnéia estática (com a marca de sete minutos e 18 segundos, apenas 12 segundos de diferença do recorde mundial, pertencente à russa Natalia Molchanova), faturou o recorde sul-americano na categoria lastro constante (-65 m), na categoria lastro constante sem nadadeiras (-35 m) e, por fim, levou o recorde sul-americano em imersão livre (-60 m). Se você precisou de fôlego para ler este parágrafo, imagina ela, para ficar todo esse tempo embaixo d'água.

Tantas vitórias são o resultado de um esforço colossal. Karol treina todos os dias, mas só depois de encerrar o expediente como supervisora de uma agência na Caixa Econômica Federal, onde trabalha há mais de 20 anos. Além do esforço físico, a atleta se empenha para deixar a cabeça tranqüila nos momentos de tensão em pleno fundo do mar. "Crio âncoras mentais. Tenho sempre que banir as informações ruins que passam pela minha mente, só assim consigo eliminar a ansiedade", explica. "Deixo na memória só as realizações boas. Isso me ajuda, me dá força. A cabeça é um indicativo máximo de meu desempenho como atleta."

Feliz da vida com o sucesso em 2006, Karol planeja novos objetivos para o próximo ano: ela pretende focar seus esforços na apnéia dinâmica, para superar recordes nessa categoria. "Uma disciplina estática não exige muito esforço físico. Estou perto de uma marca pan-americana na apnéia dinâmica e quero treinar visando o mundial de 2007", diz.

Ela também deseja se envolver num projeto de levar o esporte para jovens carentes de Florianópolis. Tudo para popularizar ainda mais o mergulho, sua grande paixão. Vai fundo, Karol!

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KAROL MEYER

 

   
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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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