
MODALIDADE: CORRIDA DE AVENTURA
IDADE: 30 ANOS
BERÇO: SÃO PAULO, SP
POR QUE É UM OUTSIDER: CONQUISTOU O PRIMEIRO LUGAR NA BETWEEN TWO CONTINENTS, BETWEEN TWO OCEANS, UMA CORRIDA DE AVENTURA INDIVIDUAL DE 250 QUILÔMETROS NA COSTA RICA |
IMAGINE TODAS AS PENÚRIAS DE UMA CORRIDA DE AVENTURA - trekkings cabeludos, trilhas de bike insanas, trechos de remo sobre-humanos e horas intermináveis sem dormir. Agora tire os companheiros de equipe e pense no cara sozinho fazendo tudo isso no meio do mato, sem ninguém com quem conversar. Dureza? Não para Rafael Campos, um dos mais experientes corredores de aventura do Brasil, integrante da equipe Mitsubishi/Francis Hydratta QuasarLontra.
Em abril, ele participou da expedição Between Two Continents, Between Two Oceans Solo Adventure Race, a maior corrida de aventura individual realizada até hoje. O desafio rolou na Costa Rica, e o atleta chegou em primeiro lugar, depois de 54 horas e 17 minutos.
As batalhas de Rafael em meio à competição de mais de 250 quilômetros não foram poucas. Ao desembarcar na Costa Rica, ele se viu derrubado por uma forte gripe que quase o tirou da prova. "Quatro dias antes da largada, não conseguia sair da cama, estava sozinho e sem ninguém para comprar remédio para mim. Fiquei rezando para melhorar", contou.
Os deuses atenderam a seus pedidos e ele conseguiu largar com saúde. Mas logo no começo, em um trecho de remo, mais uma pedra no meio do caminho: um de seus remos quebrou e Rafael teve dificuldades para prosseguir. "Desestabilizei-me emocionalmente e achei que tudo estava perdido", relata. Mais uma vez ele se superou.
Acostumado a corridas em equipe, passou um superperrengue à noite. "Estava muito sonolento e lutei contra mim mesmo para ficar acordado. Quando deitei, o segundo colocado me passou. Acordei, mas nem sabia para onde estava indo, de tão cansado. Daí me recompus e fiquei esperto", conta.
E bota esperteza nisso. Depois de outras roubadas, Rafael conquistou a liderança e ficou com a primeiríssima posição. Agora ele está todo empolgado com a possibilidade de investir em corridas de aventura solo, que muitos apontam como uma evolução do esporte. "Apesar da solidão, a preparação é mais simples, você é dono de seu tempo e não briga com ninguém", avalia. "Desafia seus próprios limites e precisa treinar intensivamente vários esportes, enquanto nas corridas em grupo cada um é melhor em alguma modalidade específica", conclui. Pra encarar 250 quilômetros de prova nonstop sozinho, é preciso se garantir - o que não parece ser problema para o Rafa.

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