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    CRAQUE ATÉ NO INFERNO

MODALIDADE: SKATE
IDADE: 30 ANOS
BERÇO: RIO DE JANEIRO, RJ
POR QUE É UM OUTSIDER: MELHOR SKATISTA DE TODOS OS TEMPOS, FEZ UM SALTO FENOMENAL EM UM PRECIPÍCIO DO GRAND CANYON, NOS EUA, ESTRELOU O DOCUMENTÁRIO THE REALITY OF BOB BURNQUIST E CONSTRUIU NO QUINTAL DE SUA CASA A RAMPA MAIS EXTENSA DO MUNDO

QUINTA-FEIRA, 23 DE MARÇO DE 2006. BOB BURNQUIST CONHECE O INFERNO DE PERTO. Como se não bastasse ser uma espécie de Pelé dos esportes radicais, o maior craque do skate da atualidade decide enfrentar a morte e saltar o penhasco Hell Hole Bend (Declive do Buraco do Inferno), no Grand Canyon, Arizona.

Para que a maluquice acontecesse, uma rampa de 12 metros foi montada no local. Nela, construiu-se um corrimão, por cima do qual Bob teria de escorregar com seu skate para conseguir velocidade e se jogar a uma distância segura do paredão de pedra. Durante a queda, acionaria um pára-quedas, descendo pela fenda do precipício até o chão.

Se esse carioca filho de pai norte-americano, criado em São Paulo mas residente nos Estados Unidos há mais de dez anos, conhecido por acertar manobras ensandecidas nos mais alucinantes half-pipes do mundo, teve medo na hora agá? "Foi a primeira vez na vida que, com o skate, pensei na possibilidade de morte", confessa. "Aí esfriei a cabeça e me concentrei em todas as hipóteses. Morreria por quê? Além dos melhores equipamentos, estava cercado pelos profissionais mais experientes da área." Ele tinha razão. Depois de uma primeira tentativa frustrada, Bob venceu o desafio e realizou o salto. "Enfrentei um perrenguezinho, mas quis fazer uma coisa que só eu poderia. Agora, próximo capítulo."

E projeto é o que não falta em sua carreira. Depois de conquistar 12 medalhas nos X Games, Bob leva a vida que pediu a Deus em uma fazenda de 20 mil metros quadrados perto de San Diego, na Califórnia, na companhia da mulher, Jennifer, e da filha, Lótus, de seis anos. No quintal de casa, ele construiu a rampa de skate mais extensa do mundo: uma estrutura de madeira mais longa que um campo de futebol e com a altura de um edifício de oito andares. Com a megarrampa, inaugurada em setembro depois de quase um ano de construção, Bob pretende ser o primeiro a dar os próximos passos da evolução do skate.

Bob também vem explorando seu lado empresário. Dono de uma firma de alimentos orgânicos, a Burnquist Organics, ele pretende trazer o negócio para o Brasil. Trata-se de uma marca ecologicamente consciente, que ele deseja expandir também para a área de vestuário. "O planeta precisa de nossa ajuda. Devemos pensar em reverter o aquecimento global, plantar árvores, usar carros híbridos. Temos de fazer nossa parte."

Apesar de ter seu cotidiano transformado em documentário - The Reality of Bob Burnquist, lançado este ano no Brasil -, Bob é um cara simples, que curte esporte, natureza e, claro, emoção. Durante a sessão de fotos para esta reportagem, feita no Memorial da América Latina, em São Paulo, ele nem de longe dá uma de estrela. Na entrevista, fala mais de dez vezes a palavra "tranqüilo" e atende com calma a todos os pedidos do fotógrafo Marcos Vilas Boas. "Não me sinto maior que ninguém. Só consegui meu espaço porque lutei bastante. Fiz umas coisas legais, viajei bastante e acho que cheguei a um ponto bacana da vida", diz, sossegado, como se meses atrás não tivesse se atirado, por vontade própria, na boca do inferno - e saído vivo para contar mais uma de suas fascinantes histórias.

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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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