"OH, OH...", SOLTOU O NARRADOR DA 12ª EDIÇÃO dos X Games ao ver Sandro Dias, o Mineirinho, se preparando para sua sessão no skate vertical. "É hora de Sandro Dias, 'the Power Man'! Vocês verão por que o chamam assim logo que ele começar", continuou. E não foi diferente. Shaun White, medalhista de ouro de snowboard na última edição dos Jogos de Inverno, que espera sua vez para entrar na pista, olhava incrédulo, pensando se poderia fazer melhor. Não pôde.
Logo no primeiro dia, o Brasil foi o destaque da maior competição de esportes radicais do mundo com a dobradinha Mineirinho, em primeiro, e Bob Burnquist, em segundo lugar. Foi a sexta medalha de Mineirinho dentro da competição, que aconteceu na arena Staples Center, em Los Angeles, mesmo local em que foram disputadas as categorias skate best trick, BMX freestyle (dirt, best trick e vertical) e moto X best trick. Além da arena, o Home Depot Center foi palco das disputas de BMX freestyle big air e park, moto X freestyle e step up, super moto, skate street e big air e o rally car racing, nova modalidade. Este ano, os surfistas competiram em Puerto Escondido, no México, quase um mês antes, nos dias 3 e 4 de julho.
Entre os dias 3 e 6 de agosto, a cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, promoveu a 12ª edição dos Extreme Games. No primeiro dia, os brasileiros já mandaram ver
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| NO AR: Os atletas voaram no BMX, moto X, supermoto e skate. Abaixo, Mineirinho leva ouro no vertical |
"O CARA"
O momento mágico deste ano ficou por conta do norte-americano Travis Pastrana, que competiu no rally car racing, na supermoto e na moto X best tricks, sua especialidade, já que ganhou o ouro em 2005.
No início deste ano, num evento especial, Pastrana conseguiu realizar um "double backflip", uma manobra em que o piloto salta e manda ver dois mortais de costas seguidos no ar. Logo após conseguir o feito, prometeu para a imprensa, para os pais e para si mesmo nunca mais repetir o ato. Mas, para a alegria de quem assistiu aos X Games 12, Pastrana quebrou a promessa.
E, como num típico filme de ação hollywoodiano, o piloto, em sua última tentativa, em quarto lugar, disparou, saltou, deu duas voltas invertidas no ar, pousou, pulou da moto e correu para a galera. Eram 13 mil pessoas vibrando com o movimento histórico de Pastrana, o primeiro atleta a realizar a manobra "double backflip" numa competição internacional.
E, no último dia de competição, o piloto ainda conquistou sua primeira medalha na moto X freestyle, percorrendo somente uma das baterias, pois estava com o joelho machucado. "Prefiro ter sorte do que ser bom. E tive muita sorte nestes X Games, conseguindo duas medalhas de ouro. Tenho que agradecer a torcida, que foi inacreditável comigo", finalizou Pastrana. Dá uma olhada nos vídeos dos X Games (e no mortal duplo de Pastrana) no site www.expn.com. (CASSIO WAKI)
Poder ilimitado
"SE VOCÊ CAIR, PODE QUEBRAR A PERNA E PRECISAR IR PRO HOSPITAL. Se eu cair, posso consertá-la." Essa estranha e bem-humorada frase foi dita pelo skatista norte-americano Buddy Elias, 34 anos. Aos 29, Elias teve parte de sua perna amputada devido à doença de Buerguer, causada pelo consumo de tabaco e que tem como conseqüência principal a degeneração dos pés e mãos. Logo que ganhou uma prótese de fibra de carbono como nova perna, Elias recebeu o telefonema de um amigo de infância. "Você ainda anda de skate?", indagou. Elias pegou a esposa e a filha, foi até uma loja, comprou um skate novo e se encontrou com o amigo num parque. Desde então, não deixou mais de andar de skate e ainda se aventura no wakeboard e no snowboard.
As histórias dos cento e poucos atletas do primeiro Extremity Games podem ter um começo triste, mas a superação que todos encontram, seja em cima de um skate ou escalando uma parede de sete metros, é uma vitória
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| SHOW: Regas Woods faz acrobacias para o público com seu quadriciclo |
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Nos dias 29 e 30 de julho, em Orlando, Estados Unidos, Elias e mais cem atletas participaram da primeira edição do Extremity Games, uma espécie de X Games para deficientes físicos. Além do skate vertical, aconteceram provas de wakeboard, BMX e escalada.
A idéia de se fazer uma competição de esportes radicais para atletas com próteses veio de Eric Robinson, presidente da College Park Industries, uma empresa que fabrica próteses voltadas a esportes como surf, skate e escalada. Sempre perguntavam a ele onde os amputados poderiam colocar à prova seus treinos e suas manobras. "Havia público, mas nenhum evento feito especialmente para que eles pudessem interagir", diz.
Após o término do Extremity Games, toda a estrutura montada para o evento foi colocada à disposição dos deficientes físicos que queiram praticar esportes radicais. "O espaço servirá de clínica para as quatro modalidades disputadas neste ano", comemora Eric. Além de promover o primeiro evento desse tipo, a organização colocou um belo incentivo aos atletas: uma premiação total de US$ 25 mil, sendo US$ 5 mil para cada primeiro colocado. A competição com o maior número de inscritos foi a escalada, disputada por 50 atletas numa parede de sete metros de altura.
No skate, Elias não levou o prêmio, mas deixou em palavras o espírito da competição. "Meu objetivo é mostrar que somos nós que colocamos limitações - além daquelas que deixamos que outras pessoas nos façam crer que existam. E o esporte é uma maneira de provar como elas estão erradas", sentencia. (CASSIO WAKI)