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  RADAR TOUR DE FRANCE
  O tour cara-limpa
Pela 14ª vez, mais de 7.500 ciclistas amadores de todo o mundo puderam sentir na pele e nas pernas o que é participar de uma das etapas do épico Tour de France, um dos eventos esportivos mais difíceis do mundo

GUSTAVO GELLI

ENQUANTO OS CICLISTAS PROFISSIONAIS CURTIAM SEU PRIMEIRO DIA DE DESCANSO NO TOUR DE FRANCE DESTE ANO, milhares de ciclistas amadores suavam a camisa nas ladeiras francesas, sentindo a emoção e o cansaço de fazer uma das etapas da maior prova de ciclismo do mundo. Chamada de L'Ètape du Tour, essa competição é aberta a amadores e foi realizada na quente segunda-feira do dia 10 de julho, atraindo milhares de ciclistas de 46 países - 5.098 franceses (entre eles o tetracampeão de Fórmula 1 Alain Prost), 1.660 ingleses, 231 norte-americanos, 103 suíços, 84 irlandeses e, entre belgas, italianos, japoneses, chineses e outros, estávamos nós, um grupo de 32 brasileiros, organizado pelo ciclista e empresário Cleber Ricci Anderson. Detalhe: do total de inscritos, 190 eram mulheres.

É tanta gente inscrita que foram necessários 25 minutos ininterruptos de ciclistas passando por baixo do arco de largada, onde começa a cronometragem, feita por chips. O pelotão brasileiro largou no meio (numerais iniciados por 4.000) e, como a ordem de largada é feita de acordo com o número da inscrição, logo você sabe se seu desempenho está bom ou não conforme o número de quem você está passando ou "tomando bucha".

O trajeto escolhido neste ano foi o mesmo da 15ª etapa que os profissionais do Tour iriam pedalar uma semana depois: 191 quilômetros largando de Gap, a 785 metros de altitude, até o temível e mítico L'Alpe d'Huez, 21 rampas ligadas por curvas de 180 graus, onde os ciclistas praticamente "escalam" os últimos 13,8 quilômetros com o que restou das suas pernas, brigando com os 7,9% de inclinação média da pista.

Esse trecho começa com 72 quilômetros relativamente planos até os 1.373 metros da base do Col d'Izoard, primeira "parede" a ser escalada pelos ciclistas, com seus 2.360 metros de altitude e 14,2 quilômetros com inclinação de 7%. Depois desta montanha, considerada uma das mais difíceis do Tour, despencamos por 20 quilômetros até a cidade de Briançon, a 1.230 metros de altitude, onde já existia o primeiro corte, ou seja, os ciclistas que não conseguissem passar até aquele ponto com uma média superior a 19 km/h seriam retirados da prova. De Briançon eram mais 30 quilômetros praticamente só subindo, com a segunda montanha mais leve (nível 2) do percurso, o Col du Lautaret, com uma subida de 12 quilômetros e inclinação de 4,4% - onde, já com 134 quilômetros rodados e um sol castigando o cangote, a turma começou a baquear. Seguiam- se ainda 38 quilômetros de descidas leves, mas de muito pedal forte nos pelotões que se formavam, descansando um pouco e fazendo a cabeça para a "pedreira" que vinha pela frente, o derradeiro L'Alpe d'Huez.

SOBE!: Competidores encaram uma das 21 rampas ligadas por curvas de 180º do temido L'Alpe d'Huez

Um profissional gastou em média 7 mil calorias para fazer os 190 quilômetros da 15ª etapa. Assistindo à prova, a única coisa que deu pra perceber é que eles não são desse mundo. Essa etapa do Tour foi vencida por Frank Schleck de Luxemburgo (equipe CSC) em 4h52min22s com uma média de 38,3 km/h. O vencedor de nossa competição foi o francês Blaise Sonnery, de 21 anos, com 6h00min33s, mais de uma hora depois. A primeira mulher foi Karine Saysset, na 72ª posição, com 6h36min42s. Alain Prost, que já participou outras vezes, foi muito bem com 6h59min35s, terminando na 207ª posição. Os melhores brasileiros foram o médico mineiro Guilherme Magalhães com 7h05min07s, na 309ª posição, e Cleber Anderson na 807ª, com 7h33min39s. Eu, pobre mortal que comecei o ciclismo há três anos e treinei - juro que treinei bastante -, cheguei na 3.677ª colocação, terminando depois de 9h32min05s. Para ter uma noção da dureza da prova, dos 7.548 ciclistas que largaram, somente 5.477 terminaram no tempo limite de 11 horas.

Para participar do L'Ètape du Tour ou assistir o Tour ao vivo, com a opção de ir para a Itália e correr também o Granfondo Pinarello, entre em contato com Cleber Anderson pelo e-mail cle@andersonbicicletas.com.br.

GALERA: Foram necessários 25 minutos para todos os ciclistas passarem por baixo do arco de largada

 

   
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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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