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  TERRA EM TRANSE
O NISSAN X TERRA BRASIL, MAIS IMPORTANTE PROVA DO TRIATHLON CROSS-COUNTRY DO MUNDO, FOI DISPUTADO PELA SEGUNDA VEZ EM ILHABELA, NO LITORAL NORTE PAULISTA

FOTOS FÁBIO ANDRADE

RARIDADE: Trecho plano no percurso de corrida

POR MAIS QUE HAJA FAVORITOS NUMA COMPETIÇÃO, QUANDO A SIRENE DE LARGADA TOCA, ninguém sabe ao certo o que irá acontecer. É a tal da caixinha de surpresas, como eles dizem no futebol. Quem dos 350 competidores ali, a postos para a largada, com a mão no relógio para acionar o cronômetro, ganharia o X Terra 2006? O argentino Oscar Galindez, campeão deste ano do Ironman Brasil? O francês Nicolau Le Brun, atual campeão do circuito Nissan X Terra Global Tour? Quais seriam as chances da brasileira Cris Carvalho chegar em primeiro entre as mulheres? E eu, conseguiria chegar inteira ao fim da prova?

A chuva que começou na madrugada trazendo a tão especulada e temida frente fria só aumentou a apreensão de todos, principalmente daqueles que, como eu, já haviam feito o trecho de mountain bike para reconhecer o percurso da prova. Se no seco, sem as centenas de competidores, já havíamos carregado as bikes em escadas cavadas na lama e levado tombos cinematográficos nos downhills que despencavam de cima dos morros da Ilhabela, era tenebroso imaginar fazer tudo isso com o terreno molhado e a adrenalina nas veias. Muitos atletas pareciam ter a mesma preocupação: a fila de atletas esperando na fina garoa para serem numerados pela organização lembrava uma fila de bois a caminho do abate.

Mas na hora da largada o céu estava seco apesar de cinza, e o mar, apesar de não totalmente liso, também não estava tão ruim quanto nossos medos. A contagem regressiva jogou adrenalina no sangue e o frio, a chuva e as dúvidas ficaram na areia quando nos jogamos na água. Mãos e pernas e cotovelos se trombavam sobre e sob a superfície. Embaixo d’água, eu só via bolhas; acima, um rebuliço de braços e touquinhas brancas.

Enquanto eu me esforçava pra acabar os 1.500 metros de natação, os primeiros colocados já pedalavam há mais de dez minutos. Os três primeiros homens a sair da água — Le Brun, Galindez e o brasileiro Alexandre Manzan, 3º lugar no X Terra Brasil 2005 e outro favorito na prova — tinham menos de um minuto de diferença entre si. Fizeram suas transições em pouco mais de 50 segundos e partiram para os 29 quilômetros de mountain bike. Nesse trecho, Le Brun passou Galindez (que havia saído antes da água) e abriu uns poucos minutos de vantagem que lhe garantiria a vitória, mesmo não tendo sido o mais rápido na corrida.

FORÇA NAS BATATAS: As letras carimbadas nas pernas dos atletas indicavam a qual categoria eles pertenciam
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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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