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  Mundo selvagem

POR ENDRIGO CHIRI BRAZ
ILUSTRAÇÃO MARCOS MELLO

Um amigo me disse que as girafas não podem emitir sons porque não têm cordas vocais. Que triste! Isso é verdade?
Hélio Poloniato, São Paulo (SP)

Calma, calma, calma. O fato de nós, humanos, não as escutarmos não signifi ca que as girafas sejam mudas. E que elas não te escutem falando isso por aí. As girafas têm sim cordas vocais, mas elas são capazes de emitir apenas um ruído muito baixo. Na realidade, as girafas se comunicam fazendo o ar reverberar em seus pescoços, que chegam a quase três metros de altura. Segundo Elizabeth von Muggenthaler, bióloga que recentemente completou três anos e meio de estudos da bioacústica das girafas em zoológicos norte-americanos, esse meio de comunicação, batizado de “ressonância Helmholtz”, segue mais ou menos o mesmo princípio de quando sopramos na borda de uma garrafa de vidro: o ar circula dentro da garrafa e em seguida é liberado pelo topo. Elizabeth acredita que dois movimentos de pescoço podem compor a ressonância Helmholtz. “No primeiro, o Neck Stretch, a girafa balança a cabeça para trás e rapidamente faz varreduras para cima e para frente, como uma serpente. No segundo movimento, o Head Throw, elas abaixam o queixo e rapidamente o levantam em direção ao céu. Nos dois casos, os sons emitidos são quase infra-sônicos, muito baixos para serem escutados por humanos.”

Se a cabeça é a primeira rota de perda de calor no corpo humano, qual é a segunda?
Francisco Brauner, Palmas (TO)

Seguindo este ponto de vista são as mãos, basicamente graças ao fato de serem cilíndricas, ou seja, terem mais superfície de área por unidade de volume do que qualquer outra forma, além de terem pouca gordura e músculo. Porém, pensando de maneira mais fi siológica, as duas principais formas de perder calor no organismo são pela pele como um todo e pela respiração. “Em termos de fi siologia, não há dúvida que a rota número um é a pele, por ser muito ‘grande’, estar em contato com o meio ambiente e ter glândulas sudoríparas em toda a sua extensão”, explica a dra. Andréa da Silva Torrão, fi siologista e professora de neurofi siologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. “E a segunda rota é a respiração. Por exemplo: quando se está praticando alguma atividade física, o aumento da taxa respiratória é para compensar a falta de oxigênio e também para perder o calor que está sendo produzido pelo corpo. Quando estamos suando, ao expirar gás carbônico, ele vem umidifi cado com a água produzida pelo corpo, o que leva calor junto.”

Freqüentemente escutamos que animais perdidos, incluindo gatos e cães, viajam grandes distâncias e encontram o caminho de volta para casa. Há alguma verdade nisso?
Liana Almeida, Guarapari (ES)

“Não há ditos populares sem um fundo de verdade”, diz o etólogo (especialista em comportamento animal) Bruno Tausz. “Tanto que estar num mato sem cachorro é sinônimo de estar perdido.” Faz sentido. Os animais têm senso de direção muito apurado, que os guia até que alguma coisa que remeta ao lugar que estão procurando surja no ambiente. Segundo Tausz, estudos norte-americanos fi zeram uma simulação para comprovar uma teoria que diz que o objetivo da procura, ou seja, a casa em que vivem, emite sons e aromas familiares em círculos concêntricos que os cães são capazes de perceber a uma distância de aproximadamente dez quilômetros. Na fl oresta, muitas vezes os lobos viajam distâncias maiores que dez quilômetros para abater uma presa ou encontrar água, e sempre retornam às suas tocas. “Tanto que as mães alimentam seus fi lhotes regurgitando o produto da caça ingerido no local do abate”, completa Tausz. Neste caso, quem agradece é o encontrado, e não quem encontrou o caminho de casa.

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Edição nº 54 - Novembro/09
 
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